Colômbia terá segundo turno entre direita e esquerda após eleição acirrada

Expresso Rio
4 min de leitura

A eleição presidencial da Colômbia será decidida em segundo turno após nenhum dos candidatos alcançar a maioria absoluta dos votos na primeira rodada realizada neste domingo (31). Com mais de 99% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com mais de 43% dos votos, enquanto o senador de esquerda Iván Cepeda ficou em segundo lugar com cerca de 40%.

O segundo turno está marcado para 21 de junho e definirá quem comandará o país pelos próximos quatro anos. A disputa é acompanhada com atenção por representar um importante teste para o legado político do presidente Gustavo Petro, primeiro governante de esquerda da história recente da Colômbia.

A segurança pública dominou os debates eleitorais em meio ao aumento da violência em diversas regiões do país. A Colômbia enfrenta desafios relacionados à atuação de grupos armados envolvidos com narcotráfico, mineração ilegal e extorsão.

Durante a campanha presidencial, o país registrou episódios de violência que incluíram ataques com explosivos, ações de organizações armadas e o assassinato do então candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, aumentando a preocupação da população com a segurança.

Abelardo de la Espriella defende uma política de enfrentamento direto às organizações criminosas. Entre suas propostas estão a ampliação das operações militares, o fortalecimento das forças de segurança e a construção de megapresídios.

O candidato costuma citar como referência os modelos de segurança implementados pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Já Iván Cepeda aposta na retomada das negociações com grupos armados e na ampliação de políticas sociais. O senador participou das negociações de paz que resultaram no acordo firmado em 2016 entre o governo colombiano e as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A candidatura de Iván Cepeda é vista por aliados como uma continuidade das políticas defendidas pelo governo de Gustavo Petro. Entre as principais bandeiras estão o combate à desigualdade social, a ampliação da proteção social e a reforma agrária.

Por outro lado, críticos da atual gestão argumentam que a estratégia de diálogo com grupos armados apresentou resultados limitados e permitiu o fortalecimento de organizações criminosas em determinadas regiões do país.

A senadora conservadora Paloma Valencia terminou a eleição em terceiro lugar, com quase 7% dos votos válidos, ficando fora da disputa final pela presidência colombiana.

O resultado reforça a polarização entre os campos da direita e da esquerda, que agora concentrarão as atenções do eleitorado nas próximas semanas.

Independentemente de quem vencer o segundo turno, o próximo presidente deverá enfrentar dificuldades para governar diante de um Congresso fragmentado. As eleições legislativas realizadas em março mostraram que nenhuma força política terá maioria suficiente para aprovar projetos sem articulação com outras siglas.

Analistas avaliam que a construção de alianças será fundamental para viabilizar reformas e propostas consideradas estratégicas para o futuro do país.

Com a votação decisiva marcada para 21 de junho, a Colômbia se prepara para uma das disputas presidenciais mais importantes dos últimos anos, em um cenário marcado por polarização política, desafios de segurança e debates sobre o futuro das políticas públicas nacionais.

Receba notícias em tempo real no WhatsApp

Participe do grupo oficial do Expresso Rio e acompanhe as principais notícias de Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, Rio de Janeiro e Brasil.

ENTRAR NO GRUPO
Partilhar este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *