A rede de cinemas Cinemark passou a exibir o filme brasileiro “Zuzubalândia” mais de cem vezes por dia em São Paulo como forma de acelerar o cumprimento da chamada Cota de Tela, regra que obriga exibidoras a reservar parte da programação para produções nacionais. A estratégia chamou atenção após a programação desta quarta-feira (6), quando a animação infantil apareceu em 114 sessões distribuídas ao longo do dia.
Grande parte das exibições ocorreu entre 11h e 14h45, período tradicionalmente de menor movimento nas salas. Em várias sessões, não havia público presente, segundo relatos de funcionários da própria rede.
De acordo com pessoas ligadas à operação da Cinemark, a orientação interna seria utilizar o longa-metragem para aumentar rapidamente o número de sessões válidas dentro da exigência regulatória imposta ao setor exibidor.
Os números registrados chamam atenção. Somente neste ano, “Zuzubalândia” já acumulou 17.237 sessões na rede, mas levou apenas 1.882 espectadores aos cinemas. A diferença entre quantidade de exibições e público reforçou o debate sobre o uso de brechas na legislação cultural brasileira.
A estratégia adotada pela rede aproveita uma característica específica da produção. O filme possui cerca de uma hora de duração e é enquadrado como média-metragem, permitindo mais sessões por dia em comparação a produções mais longas.
Apesar disso, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) ainda avalia se esse tipo de exibição poderá efetivamente ser contabilizado para fins de cumprimento da Cota de Tela.
A política de Cota de Tela existe no Brasil para garantir espaço mínimo ao cinema nacional dentro das grandes redes exibidoras. A medida busca ampliar a visibilidade das produções brasileiras diante da forte concorrência de blockbusters internacionais.
O caso reacendeu discussões no setor audiovisual sobre possíveis distorções no modelo atual e sobre a necessidade de revisão das regras para evitar práticas consideradas artificiais por parte de exibidores.
Até o momento, não houve posicionamento público oficial da Cinemark sobre a repercussão da estratégia utilizada nas sessões de “Zuzubalândia”.




