Uma caixa contendo centenas de cavalos-marinhos mortos foi encontrada nesta quarta-feira (15) boiando na Baía de Guanabara, nas proximidades do bairro Gradim, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O caso mobilizou pesquisadores e reacendeu o alerta sobre os impactos da pesca de arrasto, considerada uma das principais ameaças à espécie.
Segundo relatos encaminhados ao Projeto Cavalos-Marinhos, pescadores localizaram a caixa no início da semana enquanto navegavam pela baía. Ao recolherem o objeto para reaproveitamento, encontraram dezenas de animais mortos em seu interior. Após a descoberta, os cavalos-marinhos acabaram sendo levados novamente pela correnteza.
As circunstâncias que levaram ao descarte da caixa ainda são desconhecidas.
Espécie vive em águas profundas
A coordenadora-geral do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret, informou que não recebeu os animais para análise, mas conseguiu identificar a espécie por meio das imagens enviadas pelos pescadores.
Segundo ela, trata-se do Hippocampus patagonicus, conhecido como cavalo-marinho-da-patagônia, espécie que vive em águas mais profundas e não costuma ocorrer no interior da Baía de Guanabara.
A pesquisadora explica que esses animais normalmente são capturados acidentalmente por embarcações que realizam pesca de arrasto em alto-mar, em profundidades que podem variar entre 30 e 70 metros.
Suspeita de captura acidental
De acordo com Natalie, a quantidade de animais observada nas imagens chama atenção e pode indicar que uma embarcação encontrou uma grande concentração da espécie ou permaneceu vários dias realizando a atividade pesqueira antes de recolher as redes.
Ela afirma que, em situações comuns, pesquisadores registram poucos exemplares capturados acidentalmente, enquanto o volume encontrado desta vez é considerado incomum.
A captura incidental de cavalos-marinhos é apontada como uma das maiores ameaças à conservação da espécie em diversas partes do mundo.
Orientação para pescadores
A coordenadora destaca que, quando os animais são capturados vivos, a legislação determina que sejam devolvidos imediatamente ao mar. Já os exemplares mortos podem ser encaminhados para pesquisas científicas, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a espécie.
Segundo ela, o Projeto Cavalos-Marinhos mantém parcerias com pescadores industriais para orientar sobre os procedimentos corretos em casos de captura acidental, evitando descartes inadequados e fortalecendo os estudos científicos.
Natalie explica que muitos pescadores ainda desconhecem como agir nessas situações, o que pode levar ao descarte irregular dos animais por receio de punições.
Pesca de arrasto preocupa pesquisadores
Ainda segundo a pesquisadora, estima-se que cerca de 37 milhões de cavalos-marinhos, de diferentes espécies, sejam capturados acidentalmente todos os anos em todo o mundo, principalmente pela pesca de arrasto.
Ela ressalta que reduzir esse impacto depende da conscientização dos pescadores, do cumprimento da legislação ambiental e do fortalecimento das pesquisas voltadas à conservação das espécies marinhas.