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Cartolouco é réu após denúncia de ex-namorada; outras mulheres relatam episódios semelhantes

Expresso Rio

O influenciador Lucas Strabko, conhecido nacionalmente como Cartolouco, passou a responder na Justiça após denúncia apresentada por uma ex-namorada que o acusa de agressão física e violência psicológica durante o relacionamento. O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, que apresentou imagens de câmeras de segurança, fotografias da lesão apontada pela denunciante e entrevistas com pessoas ligadas ao episódio.

Segundo a apuração divulgada pelo programa, os fatos investigados ocorreram em janeiro deste ano, em São Paulo. A reportagem também ouviu outras duas ex-companheiras do influenciador, que relataram experiências semelhantes durante relacionamentos anteriores. Lucas Strabko nega todas as acusações.

Um dos principais elementos apresentados pela reportagem são imagens captadas por câmeras de monitoramento instaladas na região onde ocorreu a discussão.

Reprodução: Tv Globo/Fantástico

As gravações exibidas mostram o casal durante uma discussão em via pública na madrugada de 31 de janeiro. Conforme a reportagem, as imagens registram o momento em que o influenciador aproxima um cigarro da orelha da então companheira. Em seguida, outro equipamento de segurança registra um tapa no rosto da mulher.

Em entrevista concedida ao Fantástico, a mulher cuja identidade foi preservada, afirmou que o relacionamento começou de forma intensa, mas que, com o passar dos meses, teria se tornado marcado por episódios de controle, ofensas e violência psicológica.

Segundo seu relato, ela passou a sofrer insultos frequentes e afirmou que o comportamento agressivo aumentou ao longo da relação.

Reprodução: Tv Globo/Fantástico

A denunciante também descreveu um episódio ocorrido durante uma viagem do casal ao Peru, quando, segundo ela, teria sido vítima de agressões físicas dentro do hotel após uma discussão iniciada em um estabelecimento comercial.

Ainda conforme seu depoimento, durante esse episódio seu telefone celular teria sido destruído, dificultando que buscasse ajuda.

De acordo com a reportagem, após uma nova discussão ocorrida na capital paulista, pessoas que estavam em bares próximos perceberam a situação e decidiram intervir.

Uma testemunha, ouvida pelo programa sob condição de anonimato, afirmou ter presenciado parte da discussão e procurou ajudar a mulher após notar o comportamento considerado agressivo.

A ex-namorada afirmou que decidiu procurar as autoridades após os acontecimentos, dando início ao procedimento que resultou no processo judicial atualmente em andamento.

Segundo informações apresentadas pelo Fantástico, Lucas Strabko tornou-se réu em processo que apura os fatos denunciados pela ex-companheira.

Até o momento, o processo segue em tramitação e caberá ao Poder Judiciário analisar as provas apresentadas pelas partes, ouvir testemunhas e decidir sobre os fatos narrados na denúncia.

Além da denunciante que levou o caso à Justiça, a reportagem do Fantástico ouviu outras duas ex-namoradas de Lucas Strabko. Ambas relataram situações que classificam como violência física, violência psicológica e destruição de objetos durante os respectivos relacionamentos.

Uma delas é Gabriela Augusto, que afirmou ter mantido um relacionamento de cerca de três anos com o influenciador. Em entrevista, ela disse que episódios de agressividade incluíam a destruição de bens pessoais e objetos da residência onde viviam.

Reprodução: Tv Globo/Fantástico

Segundo seu relato, televisores, celulares e até um veículo teriam sido danificados durante discussões. Gabriela também afirmou ter sofrido agressões físicas, incluindo queimaduras provocadas por um cigarro e agressões durante desentendimentos.

Outra ex-companheira, que atualmente mora em Londres e teve sua identidade preservada, afirmou que também enfrentou episódios de violência psicológica. Segundo ela, eram frequentes as ofensas relacionadas à sua aparência e comentários que buscavam diminuir sua autoestima.

Ela declarou ainda que, após episódios de agressão, o comportamento do influenciador mudava rapidamente, como se os acontecimentos não tivessem ocorrido.

As duas mulheres informaram ao programa que, na época dos fatos relatados, não registraram boletins de ocorrência nem levaram os casos à Justiça.

A mulher que registrou a denúncia afirmou que resolveu buscar proteção judicial após entender que precisava interromper o ciclo de violência.

Durante a entrevista exibida pelo Fantástico, ela disse que sua decisão também levou em consideração a possibilidade de impedir que outras mulheres passassem por situações semelhantes.

As três entrevistadas afirmaram que ainda convivem com consequências emocionais decorrentes dos relacionamentos.

Uma delas declarou que seu maior arrependimento foi não ter denunciado os fatos quando ocorreram. Já Gabriela afirmou que, além do sofrimento provocado pelo relacionamento, precisou enfrentar os desdobramentos da denúncia, incluindo exames periciais e procedimentos policiais.

Em nota divulgada à imprensa e reproduzida pelo Fantástico, Lucas Strabko negou as acusações.

Segundo o influenciador, durante uma viagem ao Peru foi a então namorada quem, durante uma crise de ciúmes, teria iniciado as agressões verbais e arremessado objetos contra ele, incluindo um telefone celular.

Ele também afirmou que fotografias registradas após o episódio mostram o casal junto, argumento utilizado por sua defesa.

Sobre os acontecimentos em São Paulo, Lucas declarou que esteve no prédio da ex-companheira apenas para buscar seus pertences e entregar a chave ao porteiro, negando ter ameaçado destruir o apartamento.

Ainda conforme sua manifestação, mesmo após o registro do boletim de ocorrência, os dois voltaram a manter contato e chegaram a se encontrar novamente.

Até a publicação da reportagem do Fantástico, essa era a posição oficial apresentada por Lucas Strabko. O espaço permanece aberto para novas manifestações.

O caso agora segue sob análise do Poder Judiciário.

Casos de violência doméstica e violência contra a mulher seguem entre os principais desafios da segurança pública brasileira.

A legislação brasileira prevê mecanismos específicos de proteção às vítimas por meio da Lei Maria da Penha, que estabelece medidas protetivas de urgência, além da responsabilização criminal quando houver comprovação dos fatos.

Especialistas ressaltam que denúncias podem ser feitas por vítimas, familiares, testemunhas ou qualquer cidadão que presencie situações de violência. Os canais oficiais incluem a Polícia Militar, a Polícia Civil, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180.

Enquanto o processo envolvendo Lucas Strabko segue em tramitação, a Justiça será responsável por analisar todas as provas apresentadas e decidir o caso. Até uma decisão definitiva, permanecem válidos os direitos das partes envolvidas, incluindo a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência.

A existência de um processo não representa condenação, e a apuração judicial continua em andamento, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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