O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou neste sábado (25) que confia nas urnas eletrônicas e classificou como “inadmissível” qualquer tentativa dos Estados Unidos de colocar em dúvida a lisura das eleições brasileiras. A declaração foi feita após o governo Lula barrar a entrada de dois funcionários da administração de Donald Trump que planejavam tratar do sistema eleitoral no país.
“Primeiramente, eu confio nas urnas eleitorais do Brasil. Também sempre concordei que cada eleição tivesse a presença de observadores de diferentes países, tantos quantos quisessem acompanhar o processo eleitoral brasileiro”, escreveu Caiado. “Mas considero inadmissível qualquer país, incluindo os EUA, querer colocar em dúvida a lisura e os resultados das nossas eleições.”
O Itamaraty negou na sexta-feira (24) os pedidos de visto de Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-adjunto assistente da pasta. Os dois pretendiam viajar a Brasília poucas semanas antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Primeiramente, eu confio nas urnas eleitorais do Brasil. Também sempre concordei que cada eleição tivesse a presença de observadores de diferentes países, tantos quantos quisessem acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Mas considero inadmissível qualquer país, incluindo os…
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 25, 2026
Segundo o Washington Post, autoridades brasileiras receberam informações de que a missão buscaria questionar a confiabilidade do sistema eletrônico de votação e produzir um relatório sobre as eleições. O governo avaliou que a visita poderia ser usada para interferir no ambiente político e alimentar uma campanha de desconfiança contra as urnas.
A movimentação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro reunir representantes de dezenas de países em Brasília e pedir o envio de observadores internacionais. Durante o encontro, o candidato do PL tentou relacionar as urnas brasileiras à Smartmatic, empresa venezuelana citada em acusações sobre eleições no exterior. A comparação é falsa: a companhia não fabrica as urnas nem desenvolve os programas usados nas votações brasileiras.
Ao distinguir observação internacional de interferência política, Caiado se colocou em rota de colisão com a estratégia de Flávio Bolsonaro e do governo Trump. O pré-candidato do PSD defendeu o acompanhamento regular do pleito, mas rejeitou que autoridades estrangeiras cheguem ao Brasil com a premissa de que o resultado eleitoral pode não ser legítimo.