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Brasil responde por quase um terço do comércio exterior da Argentina

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Brasil responde por quase um terço do comércio exterior da Argentina

A tensão diplomática entre Brasil e Argentina, na crise provocada por Javier Milei, ocorre no momento em que Brasil e Argentina vivem uma das fases de maior integração econômica das últimas décadas. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 31,2 bilhões, o maior volume em 13 anos, ficando atrás apenas do recorde histórico de US$ 39,6 bilhões, registrado em 2011.

Somente no primeiro semestre de 2026, o intercâmbio entre os dois países já movimentou quase US$ 14 bilhões, consolidando o Brasil como o principal parceiro comercial da Argentina.

O mercado brasileiro absorve cerca de 13% de todas as exportações argentinas e concentra 69% das vendas destinadas ao Mercosul, tornando-se essencial para a indústria do país vizinho.

Brasil compra produtos industriais que poucos países conseguem absorver

A pauta exportadora argentina para o Brasil é composta principalmente por produtos industrializados de alto valor agregado. Em 2025, os principais embarques foram:

  • automóveis e utilitários;
  • autopeças e motores;
  • trigo;
  • petróleo e derivados;
  • plásticos;
  • produtos químicos e petroquímicos;
  • alumínio;
  • alimentos industrializados.

Já a Argentina depende fortemente das importações brasileiras de:

  • veículos;
  • pneus;
  • autopeças;
  • máquinas industriais;
  • fertilizantes;
  • insumos agrícolas;
  • medicamentos;
  • bens de capital.

Essa complementaridade faz com que milhares de empresas dos dois lados da fronteira dependam diretamente da estabilidade das relações bilaterais.

Indústria automotiva é a mais exposta

O setor automotivo representa um dos pilares da integração econômica.

Desde 1990, Brasil e Argentina operam um sistema de produção integrada que foi consolidado pelo Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE-14), permitindo a circulação de veículos praticamente sem tarifas.

Hoje, cerca de metade das exportações argentinas de automóveis tem como destino o mercado brasileiro, enquanto diversas montadoras instaladas na Argentina dependem de componentes produzidos em fábricas brasileiras.

Segundo a consultoria Abeceb, as exportações argentinas de automóveis para o Brasil caíram 23,3% no primeiro semestre de 2026, enquanto as vendas de motores e autopeças recuaram 16,4%. Em contrapartida, os embarques de caminhões cresceram 21,5%.

Brasil também é um dos maiores investidores na Argentina

Além do comércio, o Brasil ocupa posição estratégica entre os investidores estrangeiros.

Segundo dados da Bolsa de Comércio de Rosário, empresas brasileiras representam aproximadamente 8% do estoque de investimento estrangeiro direto na Argentina, atrás apenas de Estados Unidos, Espanha e Países Baixos.

Companhias brasileiras mantêm investimentos em setores como:

  • energia;
  • siderurgia;
  • bancos;
  • agronegócio;
  • alimentos;
  • varejo;
  • construção civil.

Mercosul pode ser afetado

A crise permanece no campo diplomático, mas uma escalada poderia dificultar negociações dentro do Mercosul.

Brasil e Argentina respondem por cerca de 90% do PIB do bloco e lideram praticamente todas as negociações comerciais do Mercosul com outros países e blocos econômicos.

Embora empresários descartem uma ruptura nas relações comerciais, o aumento da instabilidade política pode atrasar investimentos, dificultar a renovação de acordos industriais e aumentar a insegurança para empresas que operam nos dois mercados.

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