O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de “imbecil” nesta sexta-feira (10) ao criticar a visita anunciada do argentino ao Brasil para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Milei confirmou que pretende participar, em 25 de julho, de um evento partidário em São Paulo que deverá oficializar Flávio como candidato à Presidência. A presença de um chefe de Estado estrangeiro em ato eleitoral brasileiro provocou reação de Boulos, que tratou a agenda como tentativa de interferência na disputa.
“GRANDE NOTÍCIA! Javier Milei anunciou hoje que virá ao Brasil para participar da campanha de Flávio Bolsonaro. É o presidente mais rejeitado da América Latina, que elevou a jornada de trabalho para 12h por dia e quer legalizar o tráfico de órgãos humanos. Vai tirar votos do Bolsonarinho. O que esse imbecil acha que tem a ensinar ao povo brasileiro?”, escreveu Boulos.
A crítica também mira a relação de Milei com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada por ataques e divergências políticas. O roteiro informado pelo argentino não prevê encontro com Lula, adversário direto de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro.
GRANDE NOTÍCIA! Javier Milei anunciou hoje que virá ao Brasil para participar da campanha de Flavio Bolsonaro. É o presidente mais rejeitado da América Latina, que elevou a jornada de trabalho para 12h por dia e quer legalizar o tráfico de órgãos humanos. Vai tirar votos do…
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) July 10, 2026
Agenda de Milei inclui tentativa de visitar Jair Bolsonaro
Além do ato em São Paulo, Milei afirmou que pretende ir a Brasília para tentar se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A visita depende de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar na capital federal após condenação pela Corte por envolvimento na trama golpista.
Em entrevista à rádio argentina Now 97.9, Milei defendeu o apoio ao senador do PL. “Acreditamos ser possível que o Brasil tenha uma mudança no caminho de expressões mais defensoras da liberdade e da propriedade privada, e para nós é um bom sinal que o continente comece a abraçar as ideias da liberdade”, afirmou.
No mês passado, Milei recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Rosada, sede da Presidência argentina, em Buenos Aires. Na ocasião, o argentino disse estar convencido de que “a onda azul vai chegar ao Brasil neste ano”, enquanto Flávio afirmou que a eleição brasileira representa “a última peça que falta no mapa da direita na América do Sul”.
A passagem pelo Brasil integra uma agenda regional de Milei com lideranças da extrema direita. Três dias depois do evento em São Paulo, em 28 de julho, ele deve ir a Lima para a posse de Keiko Fujimori no Peru; em 7 de agosto, viajará a Bogotá para a posse de Abelardo de la Espriella na Colômbia, e ainda planeja visitar o presidente do Equador, Daniel Noboa, embora esse encontro não tenha confirmação da Casa Rosada.