Na convenção que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, o PL exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial para simular uma manifestação de Jair Bolsonaro. A imagem e a voz do presidiário foram recriadas para que ele se declarasse “preso e calado por uma decisão arbitrária”, atacasse o Judiciário e pedisse que seus seguidores recebessem Flávio “de braços abertos”. Com exclusividade para o DCM, o jurista Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, comentou mais essa ilegalidade. LEIA.
Há uma tentativa muito clara de forçar uma decisão do ministro Alexandre de Moraes determinando a volta de Bolsonaro para a Papuda. São várias as formas usadas para burlar a decisão de um ministro do Supremo. A carta lida por Flávio já foi uma delas. O vídeo produzido por inteligência artificial é mais uma provocação deliberada.
Chego a pensar que o grupo mais próximo do candidato à Presidência almeja mesmo uma fatalidade nessa eventual volta do presidiário ao sistema prisional. Uma morte dentro da Papuda poderia ser transformada politicamente numa potencialização da facada da campanha de 2018.
Vídeo de Jair Bolsonaro feito por Inteligência Artificial é exibido na convenção do PL pic.twitter.com/F7NZnZiJRe
— Sam Pancher (@SamPancher) July 25, 2026
Eles estão desesperados. O líder está preso. Eduardo, o ex-deputado cassado e condenado, permanece nos Estados Unidos. Flávio, o chamado “01”, sabe que terá de responder sobre seus crimes, inclusive na investigação recém-autorizada a respeito do destino dos R$ 61 milhões que teriam sido repassados por Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”, numa negociação conduzida pelo senador.
O uso desta imagem, ainda que feita por IA, é obviamente um desrespeito a decisão do Supremo. Como foi numa convenção partidária, o PL terá que ser responsabilizado, além, é claro do presidiário e do candidato. Este partido se notabiliza pelos inúmeros políticos presos.
Este uso da imagem do presidiário foi um acinte. Tem que haver punição. Quando não se respeita uma decisão do Supremo Tribunal está em risco a própria estabilidade democrática.