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Política

Argentina reage ao rebaixamento diplomático e acusa Brasil de ‘isolamento ideológico’

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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A crise diplomática entre Brasil e Argentina ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (4), após o governo de Javier Milei responder oficialmente à .

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores argentino, a administração Milei afirmou lamentar a decisão brasileira, classificando-a como unilateral, e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de aprofundar seu isolamento regional por razões ideológicas.

A manifestação ocorre no mesmo dia em que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi convocado ao Itamaraty para receber uma nova ordem de protesto e ser oficialmente comunicado da decisão do governo brasileiro.

Argentina critica decisão do Brasil

No comunicado, a chancelaria argentina sustenta que as divergências políticas entre autoridades dos dois países jamais haviam sido transformadas, por Buenos Aires, em medidas diplomáticas institucionais.

“Nestes últimos anos, houve numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países. Em todos os casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Este é o critério que a Argentina mantém hoje”, afirmou o governo argentino.

A nota também faz críticas diretas à condução da política externa brasileira.

Segundo a chancelaria, o Brasil estaria “continuar se isolando do resto da região por questões meramente ideológicas”.

Em outro trecho, o governo argentino ressalta que “as relações entre os Estados (…) não devem ficar submetidas às necessidades políticas e/ou às pessoas dos governantes do momento”.

Além disso, Buenos Aires informou que o Itamaraty solicitou o retorno do embaixador argentino Daniel Raimondi ao seu país.

Itamaraty endureceu posição após novos ataques

A decisão brasileira foi tomada após uma sequência de declarações do presidente Javier Milei contra autoridades e instituições brasileiras.

No dia 26 de julho, Raimondi já havia sido chamado ao Ministério das Relações Exteriores para prestar esclarecimentos depois que Milei chamou o presidente Lula de “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”, entre outras ofensas, durante discurso na Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo.

Na mesma ocasião, o governo brasileiro convocou o embaixador Julio Bitelli para consultas em Brasília. Desde então, o diplomata não retornou à capital argentina.

De acordo com s diplomáticas, novos ataques feitos por Milei após esse episódio reforçaram a avaliação do governo brasileiro de que não havia disposição da Casa Rosada para reconstruir uma relação institucional considerada adequada entre os dois países.

Diante desse cenário, o Itamaraty decidiu reduzir formalmente o nível das relações diplomáticas.

Ideologia de quem

O presidente Argentino fez ataques às instituições democráticas do Brasil em ano de eleição e se alinhou com um dos candidatos à Presidência, chegando a participar presencialmente da convenção nacional do Partido Liberal (PL) que chancelou Flávio Bolsonaro como candidato. Parece ser Javier Milei, e não o governo brasileiro, quem está fazendo um jogo ideológico para beneficiar seu campo político, que é a extrema direita.

Neste contexto, as falas do mandatário argentino não representam apenas divergências políticas dialogáveis, mas ataques claros e diretos a instituições do Estado Democrático de Direito brasileiro, como o STF e o sistema eleitoral; e tais ataques são perigosos pois desestabilizam o país. Divergências políticas existem, mas não é adequado à diplomacia que elas degringolem para o desrespeito institucional, como faz Javier Milei.

Com a decisão brasileira, Brasil e Argentina deixam de manter embaixadores em exercício em suas respectivas capitais, passando a ser representados por encarregados de negócios.

Na prática, esse modelo preserva o funcionamento das embaixadas e dos serviços consulares, mas reduz significativamente o nível de interlocução política entre os governos.

Na representação brasileira em Buenos Aires, a chefia da missão passará a ser exercida pelo ministro-conselheiro Eduardo Uziel.

Segundo o entendimento do governo brasileiro, o embaixador Julio Bitelli somente voltará à Argentina quando cessarem os ataques públicos do presidente Javier Milei às autoridades brasileiras.

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