A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso de lotes de produtos da marca Ypê após identificar falhas consideradas graves no processo de fabricação da empresa responsável pela marca, a Química Amparo, localizada no interior de São Paulo.
A medida atinge detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados pela companhia. Segundo a Anvisa, uma inspeção realizada em conjunto com órgãos de vigilância sanitária do estado paulista encontrou irregularidades nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle dos produtos.
De acordo com o órgão federal, os problemas identificados representam risco de contaminação microbiológica, incluindo a possível presença de microrganismos patogênicos nos lotes afetados.
A recomendação da agência é para que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos envolvidos e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre recolhimento e substituição.
As vigilâncias sanitárias estaduais e municipais também foram acionadas para reforçar a fiscalização e impedir a circulação dos produtos suspensos em mercados e estabelecimentos comerciais.

Família dona da Ypê fez doações à campanha de Bolsonaro
A Ypê pertence à Química Amparo, fundada em 1950 por Waldyer Beira e atualmente controlada pela família Beira.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, durante as eleições de 2022, integrantes da família realizaram doações que somaram R$ 1 milhão para a campanha de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O maior valor foi repassado por Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da empresa, que doou R$ 500 mil. O montante colocou o empresário entre os maiores doadores individuais da campanha.
Waldir Beira Júnior, presidente executivo da companhia, e Ana Maria Beira, integrante dos conselhos de sócios e administração, também aparecem nos registros eleitorais com doações de R$ 250 mil cada.
Em dezembro de 2023, a marca também enfrentou forte repercussão nas redes sociais após uma ação publicitária realizada em Salvador.
Na ocasião, uma escultura instalada pela empresa foi alvo de acusações de racismo por parte de internautas. A peça mostrava uma mão segurando um limpador multiuso e gerou críticas por suposta associação a uma pessoa negra.
Após a repercussão, a empresa divulgou nota afirmando que “repudia qualquer tipo de manifestação preconceituosa e racista”. A Ypê declarou ainda que a escultura fazia referência ao personagem “Mãozinha”, da obra A Família Addams, utilizado anteriormente em campanhas publicitárias da marca.
Com a decisão da Anvisa, órgãos de vigilância sanitária em todo o país devem intensificar ações de fiscalização para evitar a venda dos produtos afetados.
A orientação é para que consumidores acompanhem os comunicados oficiais da agência e verifiquem informações sobre lotes suspensos antes de utilizar os produtos da marca.