Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a tratar como vantagem política a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que impede o parlamentar de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias. A avaliação é que a restrição, embora negativa no plano jurídico e familiar, pode dar ao senador mais margem para agir na articulação eleitoral.
Interlocutores de Flávio afirmam que o pré-candidato tende a ganhar autonomia para tomar decisões sobre alianças nacionais e palanques nos estados. A leitura interna é que, longe das consultas constantes ao pai, ele poderá negociar com menos interferência direta do ex-presidente.
Um aliado definiu a situação como “uma espécie de livramento”. Antes da decisão de Moraes, o senador consultava Jair Bolsonaro para quase tudo, o que travava movimentos políticos e aumentava a dependência do aval do ex-presidente.
Restrição afeta disputa por porta-voz de Bolsonaro
A decisão também atingiu a disputa interna sobre quem fala em nome de Jair Bolsonaro. O ex-presidente havia dito que Flávio, e não Michelle Bolsonaro, seria seu porta-voz, o que limita a atuação política da ex-primeira-dama mesmo com o acesso direto que ela mantém ao marido.
Michelle deve ficar praticamente como a única pessoa, fora os advogados, com contato direto com Jair Bolsonaro durante o período de restrição. Para aliados de Flávio, isso não basta para que ela fale em nome do ex-presidente, já que a indicação pública do porta-voz recaiu sobre o senador.
Depois da decisão de Moraes, Bolsonaro também não teria condições de produzir uma nova carta indicando Michelle como porta-voz. A avaliação entre interlocutores do senador é que a ex-primeira-dama perdeu força nessa função ao explicitar a disputa com o enteado.
Outro aliado vê uma segunda vantagem na medida imposta pelo STF: Flávio poderá se apresentar como vítima e perseguido pelo “sistema”. A estratégia dialoga com a retórica usada por bolsonaristas em episódios de tensão com o Judiciário.
A proibição de visitas vale por 90 dias e ocorre em meio às movimentações do PL para 2026, com Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro disputando influência sobre alianças, palanques estaduais e a comunicação política do grupo.