O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) irritou aliados no Rio de Janeiro ao participar, na segunda-feira (13), de uma agenda em Duque de Caxias com um grupo ligado ao prefeito Eduardo Paes (PSD), principal adversário do PL na disputa pelo governo fluminense.
Segundo o Uol, Flávio não consultou correligionários antes do compromisso público. O movimento elevou o desgaste de sua pré-campanha presidencial no berço político da família Bolsonaro, em uma semana já marcada por restrições judiciais e pelo impacto político do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.
A agenda ocorreu com o prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB), sobrinho do ex-deputado federal Washington Reis (MDB) e de Jane Reis, vice na chapa de Eduardo Paes ao governo do Rio. Também estiveram no encontro o deputado estadual Rosenverg Reis (MDB) e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ).
O incômodo no PL cresceu porque o partido trabalha o nome de Douglas Ruas, presidente da Alerj, para disputar o governo estadual. Às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, previsto para agosto, aliados viram a agenda como um gesto em favor de um grupo alinhado ao principal adversário local.
Veto de Moraes e tarifaço aumentam pressão sobre a pré-campanha
O mal-estar no Rio se soma à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que vetou visitas de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Um aliado de peso avalia que o senador perde força sem poder dizer publicamente que se reuniu com o pai para tratar de temas políticos.
Outro auxiliar importante do presidenciável afirma que a nova leva de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros está prestes a entrar em vigor e tende a recair politicamente sobre Flávio. O tema passou a integrar a lista de problemas que atingem a articulação nacional do senador.
A pré-campanha já havia enfrentado outros episódios de desgaste, como a crise pública com Michelle Bolsonaro e a prisão de Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e nome defendido por Flávio para disputar o Senado pelo Rio de Janeiro.
Aliados também direcionaram críticas à equipe do senador, sob o argumento de que a agenda no Rio não recebeu orientação política adequada. Um político fluminense disse que uma campanha presidencial depende da atuação de lideranças locais para ganhar tração, e outro auxiliar repetiu a avaliação que circula entre interlocutores do senador: “Flávio não é Jair”.