Uma cena que parece, mas não É banal, vista na edição dessa terça-feira do Bom dia São Paulo, da Globo. O repórter João Netto está cobrindo a greve nos trens, contra a privatização de linhas pelo governo de Tarcísio de Freitas, e ouve uma moça numa estação de ônibus.
O repórter faz a abordagem e acontece o que muitos jornalistas, principalmente os âncoras, consideram um momento desagradável. A moça não critica a paralisação, como muitos esperavam, e ataca as privatizações, Tarcísio de Freitas e Bolsonaro.
O repórter teve o ‘azar’ de abordar uma trabalhadora aliada dos servidores públicos, e não uma distraída que pudesse reproduzir a voz dos governantes e do patrões. A entrevistada, da qual não se sabe o nome, começa sua fala contra a direita e o repórter puxa o microfone e tenta tirá-la de cena.
Mas Netto controla o áudio, não controla a câmera e muito menos seu colega de trabalho. E o repórter cinematográfico Leandro Matoso mantém a moça na imagem, enquanto Netto se afasta.
E por que manteve? Porque é jornalista. O governador pode aparecer nos jornais da TV Globo dizendo que a greve é apenas baderna e manipulação política. Mas o usuário, dono do patrimônio público, não pode criticar o governador privatista e seu padrinho extremista?
A diva lançando um “Fora, Tarcísio” ao vivo em meio à greve dos trens em São Paulo. É isso, temos que dar nome aos bois. A culpa nunca é do trabalhador que quer garantir seus direitos, e sim dos poderosos que tentar ameaçar quem é essencial pra cidade funcionar. pic.twitter.com/BsCkm6iCUV
— Rick Azevedo (@rickazzevedo) August 4, 2026
A moça apenas expressou seu apoio à greve. Ou alguém acha que todos os trabalhadores poderiam ser entrevistados pela Globo dizendo quase sempre a obviedade de que tiveram suas rotinas transtornadas por mais uma paralisação?
Com mais um detalhe. A âncora Sabina Simonato, que assume o controla da situação quando o repórter encerra sua missão, diz na sequência que a declaração da moça era resultado de “ânimos exaltados”. Não é consciência cidadã. É ânimo exaltado.
O câmera fez jornalismo, porque é repórter de imagem, enquanto o repórter de áudio e a âncora vacilavam. O que ele fez parece mas não é incomum quando há trabalho de campo em dupla. O câmera salvou a reportagem.




