Zanin manda soltar lobista do escândalo no STJ

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

O ministro do Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (24) a soltura do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado em um esquema que apura a suposta venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça. A decisão beneficia um dos principais nomes apontados pela investigação conduzida pela Polícia Federal.

A informação foi confirmada pela defesa, representada pelo advogado Luís Henrique Prata. Andreson estava preso desde novembro de 2025 e cumpria custódia na Penitenciária Federal de Brasília.

A prisão havia sido mantida após a Polícia Federal identificar indícios de que o lobista continuava envolvido em práticas ilícitas, incluindo movimentações suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, mesmo enquanto estava em regime domiciliar. A defesa, por sua vez, insistia na revogação da prisão, alegando questões de saúde.

O inquérito, que tramita sob sigilo, investiga um possível esquema estruturado de influência indevida em decisões judiciais dentro do STJ. Segundo as apurações, pagamentos teriam sido feitos a ex-servidores ligados a gabinetes de ministros como Og Fernandes, Isabel Gallotti e Nancy Andrighi. Apesar das citações, os magistrados não são formalmente investigados.

A investigação ganhou força após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, em Cuiabá. Dados extraídos do celular da vítima foram determinantes para revelar indícios do funcionamento do esquema.

De acordo com a Polícia Federal, o suposto esquema era dividido em três frentes. A primeira envolveria servidores públicos com acesso a informações privilegiadas, responsáveis por antecipar decisões e repassar conteúdos sigilosos. Entre os nomes citados estão ex-chefes de gabinete como Daimler Alberto de Campos e Rodrigo Falcão.

O segundo núcleo reuniria advogados e lobistas, incluindo Andreson, que atuariam na intermediação e captação de clientes interessados em decisões favoráveis. Já o terceiro grupo seria composto por empresários e agentes econômicos principalmente ligados ao agronegócio apontados como beneficiários das supostas manipulações.

As investigações também identificaram mensagens e registros considerados relevantes. No celular de Andreson, foi encontrada uma lista detalhada de processos sob relatoria da ministra Isabel Gallotti, acompanhada de anotações sobre o andamento dos casos.

Entre os conteúdos analisados, há mensagens com trechos como “voto pronto e enviado para você”, o que, segundo os investigadores, pode indicar um sistema paralelo de controle de decisões judiciais. Os dados também apontam contatos frequentes com servidores e integrantes de gabinetes, além de negociações financeiras e até concessão de benefícios, como empréstimos de aeronaves.

A decisão de soltura não encerra as investigações. Andreson segue como alvo do inquérito, que continua em andamento e busca identificar a extensão do esquema e todos os envolvidos nas supostas irregularidades dentro do sistema judicial brasileiro.

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