Um debate sobre a criminalização da misoginia terminou em forte discussão entre a candidata a deputada federal Natália Boulos (PSOL-SP) e o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, durante participação no podcast Inteligência Ltda., na noite de quarta-feira (26). O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após um comentário feito por Arthur em resposta à candidata.
Durante a discussão, Natália relembrou declarações feitas por Arthur do Val em 2022 sobre mulheres ucranianas refugiadas da guerra. A candidata afirmou ser neta de uma ucraniana refugiada de guerra e questionou a legitimidade do ex-parlamentar para discutir o tema. Na sequência, Arthur respondeu, em meio a risos: “Então apresenta para nós”. Segundo informações publicadas posteriormente, a avó mencionada por Natália já é falecida.
A repercussão do episódio chegou à esfera eleitoral. Nesta quinta-feira (27), Natália Boulos protocolou uma notícia de fato na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, pedindo que seja apurada a existência de eventual crime eleitoral relacionado à fala. Os advogados da candidata sustentam que o episódio poderia configurar violência política de gênero e também questionam a divulgação posterior do trecho nas redes sociais de Arthur. O protocolo representa um pedido de investigação e, por si só, não significa reconhecimento de crime ou responsabilidade por parte das autoridades.
Arthur do Val apresentou uma versão diferente sobre o episódio. À Folha de S.Paulo, afirmou que havia sido alvo de diversas ofensas durante o debate e classificou sua resposta como uma “brincadeira”, negando ter cometido ofensa. A eventual caracterização jurídica da declaração caberá às autoridades competentes, caso seja instaurado procedimento para analisar o caso.
O episódio ocorreu durante uma discussão envolvendo o chamado PL da Misoginia, proposta que busca estabelecer punições específicas para determinadas condutas de violência, discriminação ou ofensa contra mulheres. O projeto vem provocando debates políticos e jurídicos sobre proteção às mulheres, liberdade de expressão e os limites da responsabilização penal.

