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Expresso Rio

Startup ligada a Lady Gaga e Michael Polansky usa pele humana viva para treinar IA

Startup ligada a Lady Gaga e Michael Polansky usa pele humana viva para treinar IA

Uma startup de biotecnologia ligada à cantora Lady Gaga e ao empresário Michael Polansky está desenvolvendo uma plataforma que combina inteligência artificial com experimentos realizados em tecido de pele humana mantido vivo fora do corpo. A Outer Biosciences, sediada na região de Cambridge, nos Estados Unidos, afirma ter criado um sistema capaz de preservar amostras de pele por até cerca de um mês, permitindo acompanhar alterações biológicas que normalmente levam semanas para ocorrer. Gaga integra o conselho da companhia, enquanto Polansky ocupa o cargo de CEO.

Segundo informações divulgadas pela empresa e por Polansky, as amostras utilizadas são provenientes de tecidos que seriam descartados após procedimentos cirúrgicos e chegam aos laboratórios por intermédio de organizações e biobancos responsáveis pela coleta. A Outer Biosciences afirma que o material é fornecido de forma desidentificada, sem nomes, contatos ou outros dados diretos dos doadores. O sistema desenvolvido pela companhia fornece nutrientes ao tecido e remove resíduos metabólicos, permitindo que sua estrutura seja preservada por um período maior que o normalmente disponível para pesquisas ex vivo.

O objetivo é utilizar essas amostras para analisar fenômenos mais lentos da pele, como remodelação de colágeno, alterações de pigmentação, inflamação e recuperação da barreira cutânea. A própria empresa ressalta que o tecido mantido por semanas não se torna idêntico à pele no organismo humano durante todo o período, mas sustenta características consideradas relevantes para estudos laboratoriais. A tecnologia também aparece em pedido de patente relacionado a sistemas de manutenção e análise de tecido cutâneo fora do corpo.

A inteligência artificial entra no processo para selecionar compostos que, segundo o modelo computacional, apresentam maior potencial de produzir determinados efeitos na pele. Essas substâncias são então testadas nas amostras vivas e os resultados retornam ao sistema, criando um ciclo de aprendizado destinado a aprimorar previsões posteriores. De acordo com Polansky, a abordagem já permitiu identificar dezenas de potenciais candidatos e manter diferentes compostos em desenvolvimento, embora esses resultados ainda dependam das etapas de validação e segurança antes de qualquer eventual aplicação comercial.

A Outer Biosciences não pretende, neste momento, atuar como uma marca tradicional de cosméticos. O modelo de negócios apresentado é voltado à descoberta e ao desenvolvimento de ingredientes que poderão ser licenciados para empresas dos setores de beleza e saúde. Reportagem publicada nesta semana informa que a startup levantou aproximadamente US$ 23 milhões e opera com uma equipe de cerca de 19 profissionais. Gaga também mantém ligação com a indústria de cosméticos por meio da Haus Labs, mas eventuais aplicações comerciais das descobertas da Outer Biosciences dependerão dos projetos e acordos que forem efetivamente desenvolvidos pelas empresas.