O candidato ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) voltou a tentar se posicionar fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (19), ao ser questionado sobre quem pretende apoiar para a Presidência da República, Ciro afirmou que ainda não tomou uma decisão e declarou: “Eu não sou nem Lula nem Bolsonaro”.
A declaração ocorre, porém, em um cenário político diferente daquele de suas antigas campanhas presidenciais. Na disputa pelo Governo do Ceará, Ciro conta com uma aliança que inclui PL, União Brasil e PP, enquanto seu principal adversário, o governador Elmano de Freitas (PT), tem o apoio de Lula. A composição tem sido explorada pelos adversários para tentar associar o tucano ao campo bolsonarista, algo que Ciro procura afastar do discurso nacional.
Durante a entrevista, Ciro afirmou que a posição não significa simplesmente ser contrário aos dois campos. Segundo ele, sua intenção seria defender “outro caminho para o Brasil”. O candidato disse ainda considerar que a polarização e o ambiente de confronto político prejudicam o país. Ciro também revelou que vem discutindo a eleição presidencial com dirigentes do PSDB e citou Ronaldo Caiado entre os nomes presentes nas conversas, sem anunciar formalmente apoio a qualquer candidato.
O discurso de distanciamento, no entanto, deverá continuar sendo confrontado com as alianças construídas pelo próprio candidato no Ceará. No primeiro debate eleitoral, Elmano já tentou vincular Ciro ao bolsonarismo, enquanto o tucano respondeu afirmando representar uma posição diferente tanto de Lula quanto de Bolsonaro. A estratégia indica que a disputa sobre quem Ciro representa politicamente deverá permanecer como um dos pontos centrais da campanha cearense.
Outro tema historicamente associado ao discurso econômico de Ciro é o endividamento das famílias e a situação de consumidores inscritos em cadastros como SPC e Serasa. A proposta ganhou projeção nacional principalmente nas campanhas presidenciais anteriores, quando o então candidato defendeu mecanismos de renegociação de dívidas para consumidores inadimplentes. Portanto, eventuais referências atuais ao SPC devem ser compreendidas como parte de uma pauta antiga de Ciro, e não como uma proposta surgida na campanha estadual de 2026.

