O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, criticou a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e defendeu mudanças profundas na legislação trabalhista brasileira. As declarações foram feitas na terça-feira (18), durante o evento Encontro com Presidenciáveis Diálogo pelo Futuro do Brasil, promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), em Brasília. Na ocasião, Renan classificou o fim da escala 6×1 como uma “maluquice” e afirmou que, em um eventual governo, atuaria contra a medida.
Ao abordar a legislação trabalhista, o presidenciável declarou que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) “já deu, já era” e defendeu uma nova reforma no setor. Santos também propôs a extinção da Justiça do Trabalho, sustentando que conflitos entre empregados e empregadores poderiam ser analisados pela Justiça Cível. Questionado posteriormente, afirmou ainda que pretende discutir modelos alternativos de contratação e citou a possibilidade de ampliar formas de formalização semelhantes ao regime dos microempreendedores individuais.
A eventual extinção da Justiça do Trabalho, porém, não poderia ser determinada apenas pelo presidente da República. O órgão integra a estrutura do Poder Judiciário prevista expressamente no artigo 111 da Constituição Federal, que estabelece o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais do Trabalho e os juízes do Trabalho. Uma mudança dessa dimensão dependeria, portanto, de alteração constitucional aprovada pelo Congresso Nacional.
Renan também direcionou críticas ao Congresso e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Durante o encontro, afirmou que o Congresso teria agido de forma “covarde” na discussão sobre a escala 6×1 e disse aos representantes empresariais presentes que eles seriam “escravos do Alcolumbre”, ao argumentar que o senador não teria compromisso com os setores produtivos. As declarações representam a avaliação política do próprio candidato.
A proposta sobre a jornada de trabalho mencionada por Renan é a PEC 221/2019, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio de 2026. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, prevê dois dias de repouso remunerado e não estabelece redução salarial. A matéria foi encaminhada ao Senado, onde permanece em tramitação e precisa ser analisada antes de uma eventual mudança na Constituição.

