Um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República ficou ferido durante um tumulto envolvendo indígenas e a equipe de segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na quinta-feira (21), em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Segundo informações, o servidor foi atingido na cabeça durante a confusão e precisou receber atendimento médico, levando pontos na região atingida.
O episódio aconteceu durante a realização da 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, promovida no Sesc de Aracruz, evento considerado um dos maiores encontros culturais do país. Além de Lula, participaram da programação a primeira-dama Janja e a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
De acordo com relatos de participantes e vídeos divulgados pelo portal A Gazeta, indígenas do território Tupinikim tentaram se aproximar da área reservada às autoridades que estavam na mesa principal do evento. Segundo integrantes do grupo, o objetivo era realizar uma apresentação cultural em homenagem ao presidente.
A movimentação acabou mobilizando a equipe de segurança presidencial, que bloqueou a aproximação dos indígenas. Durante o impasse, um dos participantes aparece utilizando uma casaca instrumento tradicional da cultura local e atinge um dos agentes responsáveis pela segurança do presidente.
As imagens do tumulto repercutiram rapidamente nas redes sociais e ampliaram o debate sobre a condução da segurança durante eventos presidenciais envolvendo comunidades tradicionais.
Ver essa foto no Instagram
Em nota oficial, a Polícia Federal informou que já iniciou os procedimentos de investigação para identificar os envolvidos na agressão.
“Todas as medidas de polícia judiciária vêm sendo adotadas para a adequada apuração do caso, identificação e responsabilização dos envolvidos”, informou a corporação.
O episódio ocorre em meio ao aumento das medidas de segurança adotadas em agendas públicas do presidente Lula em diferentes regiões do país.
Lideranças indígenas ouvidas pelo portal A Gazeta afirmaram que o grupo não tentou protestar contra o presidente e negaram qualquer intenção de ataque.
Segundo Jocelino Tupinikim, integrante do Centro Cultural Tupinikim Ka’arondarapé, houve excesso na contenção realizada pelos agentes.
“Não foi manifestação nem atentado à presidência. Houve apenas um impasse com a segurança. Não tinha relação com repactuação e nunca houve intenção de atacar ninguém”, afirmou.
Nas redes sociais, representantes indígenas também criticaram a organização do evento e alegaram que comunidades locais teriam sido colocadas à margem da programação, apesar de participarem da construção da Teia Nacional desde 2025.
A estudante Victoria Tupinikim declarou que todos os integrantes estavam devidamente credenciados e acompanhavam o evento desde o início.
“Entramos normalmente no auditório e não invadimos. Todos estávamos credenciados”, escreveu.
A 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura ocorre entre os dias 19 e 24 de maio em território indígena de Aracruz. O encontro reúne representantes culturais de diversas regiões do Brasil e debate políticas públicas voltadas ao setor.
Após a repercussão do caso, o episódio passou a gerar forte debate político e social nas redes, especialmente sobre a atuação da segurança presidencial e a relação entre o governo federal e comunidades indígenas.
Até o momento, não há informações sobre prisões relacionadas ao caso.
Ver essa foto no Instagram

