A proibição de encontros político-eleitorais entre Jair Bolsonaro e seus aliados passou a ser tratada pela campanha de Flávio Bolsonaro como um novo obstáculo às vésperas das convenções partidárias. Interlocutores ouvidos pelo Globo afirmam que o pré-candidato ainda enfrenta pendências em dez estados.
Jair Bolsonaro continuava participando das decisões estratégicas, arbitrando disputas internas e dando aval a alianças e candidaturas estaduais. Com as novas restrições impostas por Alexandre de Moraes, o PL terá de reorganizar a condução das negociações antes da convenção nacional marcada para o próximo sábado (25).
O ministro manteve a prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro, suspendeu as visitas sociais por 30 dias e preservou apenas o acesso de advogados, médicos e fisioterapeutas. Também proibiu encontros com finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestações políticas do ex-presidente por terceiros até o encerramento das eleições.
Flávio Bolsonaro permanece proibido de visitar o pai por 90 dias, punição aplicada depois da divulgação da carta na qual Jair o apresentou como seu porta-voz político. O senador não poderá ter contato presencial com o ex-presidente antes do primeiro turno.
O coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho (PL-RN), classificou a decisão como “extravagante, inusitada e sem precedentes”. Em nota, ele acusou Moraes de usar medidas judiciais para promover “silenciamento político”.
Aliados de Flávio também avaliam que as restrições ampliam a influência de Michelle Bolsonaro, que continuará mantendo contato cotidiano com o marido. Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro poderão retomar as visitas depois do período inicial de 30 dias.
O primeiro efeito ocorreu neste sábado (18), quando Michelle cancelou sua participação em um evento da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, para permanecer com Jair Bolsonaro. A mudança ocorre durante a crise entre a ex-primeira-dama e Flávio, que declarou publicamente não manter mais uma relação com a madrasta.




