A situação enfrentada por pacientes oncológicos em Campos dos Goytacazes foi levada novamente à tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Anderson de Matos, que fez um apelo contundente ao Governo do Estado e denunciou a demora no encaminhamento de pessoas diagnosticadas com câncer para consultas, cirurgias e tratamentos especializados.
Durante a sessão, o parlamentar afirmou que 85 pacientes aguardam atualmente na fila da regulação estadual, sem previsão para o início do atendimento. Segundo ele, a demora tem comprometido diretamente a saúde de pessoas que já enfrentam a confirmação da doença e dependem do sistema público para iniciar o tratamento.
Em seu pronunciamento, Anderson destacou que o diagnóstico de câncer não pode ser transformado em uma sentença de morte por conta da lentidão burocrática. Ao relatar o caso, ele utilizou um caixão e um sino como forma simbólica de chamar atenção para o drama vivido pelas famílias.
O vereador detalhou que entre os pacientes à espera estão 23 pessoas com câncer no trato urinário e próstata, 34 mulheres com câncer de mama, oito pacientes com câncer clínico, seis com câncer no sistema reprodutor feminino, quatro aguardando cirurgia para retirada de tumores, um paciente com tumor neurológico e oito pessoas que dependem de tratamento fora do domicílio.
O caso que mais chamou atenção, segundo o parlamentar, é o de pacientes que aguardam transferência desde julho de 2025. Ele afirmou que há pessoas esperando há meses pela autorização estadual para deixar o município e realizar tratamento em outras cidades, o que, segundo ele, agrava ainda mais o sofrimento de quem já convive com o diagnóstico.
Durante o discurso, Anderson comparou a realidade de Campos com uma recente ação anunciada pelo Governo do Estado na Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, onde, segundo matéria citada pelo vereador, a fila de 162 pacientes para consulta em mastologia oncológica foi zerada.
Para o parlamentar, a comparação expõe uma desigualdade. Ele argumentou que, proporcionalmente, a situação em Campos é ainda mais grave, já que o número de pacientes em espera é alto para a realidade do município. No pronunciamento, ele questionou o motivo de a fila avançar em outras regiões e permanecer parada no interior.
Anderson também mencionou o chamado “sino da regulação”, citado na reportagem sobre a capital, utilizado para marcar o encerramento de filas importantes. Em tom crítico, afirmou que, em Campos, o sino “permanece enterrado”, simbolizando a falta de respostas para os pacientes da cidade.
Ao reforçar a cobrança, o vereador lembrou a vigência da Lei nº 12.732, que estabelece que pacientes com diagnóstico de neoplasia maligna devem iniciar o primeiro tratamento pelo Sistema Único de Saúde em até 60 dias após a confirmação em laudo patológico, podendo esse prazo ser menor conforme a necessidade clínica.
Segundo Anderson, o descumprimento da legislação pode gerar responsabilização administrativa dos gestores responsáveis. Ele afirmou que, caso a fila não avance nos próximos dias, pretende buscar medidas formais junto à superintendência estadual responsável pela regulação.
Ainda de acordo com o vereador, os registros mostram que algumas solicitações para primeira consulta datam de 28 de janeiro de 2026. Ele ressaltou que, mesmo com exames confirmando o câncer, dezenas de pacientes seguem sem sequer conseguir o primeiro atendimento especializado.
Ao encerrar o discurso, Anderson reforçou que continuará cobrando providências e afirmou que não aceitará que os casos permaneçam sem solução. Para ele, a demora compromete diretamente as chances de tratamento e recuperação, já que, em doenças oncológicas, o tempo é um fator decisivo para a vida dos pacientes.




