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Política

Venezuela fica mais de uma semana sem achar sobreviventes após terremotos; mortos chegam a 4.333

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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A Venezuela não registra novos resgates de sobreviventes dos terremotos desde 2 de julho, enquanto o número de mortos subiu para 4.333 no sábado (11). O balanço mais recente divulgado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e porta-voz dos dados da tragédia, mantém em 6.462 o total de pessoas retiradas com vida dos escombros.

As equipes conseguiram salvar milhares de vítimas nos primeiros dias após os tremores, mas o avanço dos resgates com vida praticamente parou com o passar do tempo. O último caso registrado ocorreu quando o agente de segurança Hernán Alberto Gil Flores foi retirado dos escombros após passar oito dias soterrado em La Guaira.

O governo de Delcy Rodríguez ainda não divulgou um balanço oficial de desaparecidos, quase três semanas depois da tragédia. Resgatistas, a Organização das Nações Unidas (ONU) e veículos de imprensa trabalham com dados de um site criado para registrar sumiços após os tremores, que aponta mais de 29 mil pessoas com paradeiro desconhecido.

Balanço reúne feridos, desalojados e danos estruturais

Os dados disponíveis indicam 16.740 feridos, 17.907 pessoas sem casa, 856 edifícios afetados e 190 instalações totalmente colapsadas. O atendimento médico após os terremotos chegou a 31.193 pacientes, e a ONU estima prejuízos estruturais de US$ 37 bilhões, cerca de R$ 191 bilhões.

O chefe da missão brasileira que atuou nas buscas, Armin Braun, afirmou que o cenário em La Guaira, estado mais afetado pelos terremotos, é de destruição total. Para ele, a combinação entre a extensão dos danos e o tempo decorrido tornou “muito remotas” as chances de encontrar novos sobreviventes.

Braun, que dirige o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres da Defesa Civil, relatou que os resgatistas enfrentaram obstáculos para acessar vítimas por causa do padrão das construções atingidas. “As construções onde atuamos eram muito robustas”, disse.

Segundo ele, o risco de novos desabamentos limitou o uso de equipamentos pesados e atrasou o avanço das equipes em estruturas destruídas. “As equipes de busca enfrentaram dificuldades para progredir e adentrar nos edifícios destruídos, já que o risco de novos desabamentos nos obrigava a utilizar apenas maquinário leve nos trabalhos, que muitas vezes aconteciam a cerca de 10 metros abaixo dos escombros”, afirmou.

A equipe brasileira reuniu 82 especialistas em busca e resgate, realizou 90 intervenções na Venezuela e encontrou 23 corpos. Registros disponíveis indicam que equipes internacionais resgataram 14 pessoas vivas desde o fim de junho; Braun disse que ainda pode haver sobreviventes caso não estejam feridos e tenham acesso a água e alimentos.

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