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Trump anuncia acordo que prevê controle majoritário dos EUA sobre 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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Imagem: Divulgação
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo envolvendo o setor petrolífero da Venezuela que, segundo o governo americano, dará aos Estados Unidos participação majoritária sobre operações relacionadas a mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo. O anúncio foi feito por Trump nas redes sociais, mas os detalhes jurídicos, societários e operacionais completos da parceria ainda não foram divulgados publicamente.

De acordo com informações divulgadas pelo governo americano, o entendimento foi negociado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, junto à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. A operação prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos e poderá mobilizar cerca de US$ 100 bilhões em investimentos privados para recuperação e ampliação da infraestrutura energética venezuelana. Reportagens internacionais apontam que a participação operacional americana poderá chegar a 55%, embora aspectos importantes sobre propriedade, duração das concessões e divisão das receitas ainda precisem ser detalhados.

A dimensão das reservas venezuelanas ajuda a explicar a importância estratégica do anúncio. Dados da Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) indicam que a Venezuela possuía aproximadamente 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo em 2023, equivalentes a cerca de 17% das reservas mundiais. Apesar disso, naquele ano o país respondeu por somente 0,8% da produção global de petróleo bruto. Grande parte dessas reservas está localizada na Faixa Petrolífera do Orinoco e é composta por petróleo extrapesado, cuja exploração exige tecnologia especializada e investimentos elevados.

Segundo a EIA, o desempenho abaixo do potencial da indústria venezuelana está relacionado a fatores como limitações financeiras da estatal PDVSA, redução dos investimentos estrangeiros, falta de profissionais especializados e efeitos das sanções internacionais. A deterioração de parte da infraestrutura também significa que uma eventual expansão significativa da produção pode exigir anos de investimentos, mesmo após a entrada de novas empresas e recursos privados.

O acordo vinha sendo discutido antes do anúncio oficial. Na quinta-feira (27), o site Axios informou que representantes do governo Trump negociavam uma participação americana em mais de uma dezena de campos petrolíferos venezuelanos, que reuniriam aproximadamente 90 bilhões de barris em reservas comprovadas. A configuração anunciada posteriormente por Trump envolve mais de 65 bilhões de barris, mas ainda não há documentação pública suficiente para estabelecer todos os limites jurídicos do chamado “controle majoritário” citado pelo presidente americano.

Para Washington, a iniciativa também tem impacto sobre a política energética doméstica. O governo americano sustenta que o aumento do acesso ao petróleo venezuelano poderá ampliar a segurança energética, contribuir para a recomposição das reservas estratégicas dos Estados Unidos e exercer pressão de baixa sobre os preços dos combustíveis. Esses efeitos, porém, dependerão da velocidade dos investimentos, da capacidade de expansão da produção venezuelana e das condições do mercado internacional de petróleo.

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