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Brasil participa de investigação sobre incidente entre Marine One de Trump e avião da Embraer nos EUA

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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Marine One, helicóptero do presidente dos Estados Unidos / Reprodução NEWSLETTER
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O Brasil passou a participar da investigação conduzida pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) sobre um incidente envolvendo o Marine One, helicóptero que transportava o presidente americano Donald Trump, e um avião comercial Embraer E-170 operado pela Envoy Air. A ocorrência foi registrada em 4 de agosto de 2026, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, na região de Washington. O NTSB classifica o episódio, ainda sob apuração, como uma ocorrência envolvendo perda de separação entre as aeronaves.

De acordo com o relatório preliminar do NTSB, o Marine One, um Sikorsky VH-3D, havia deixado a região do Ellipse, próximo à Casa Branca, enquanto o voo 3742 da Envoy Air decolava da pista 1 do Aeroporto Reagan com destino a Pensacola, na Flórida. A ocorrência aconteceu por volta das 14h34, no horário local, a aproximadamente duas milhas ao norte do aeroporto. Não houve registro de feridos ou danos, e as duas aeronaves completaram seus respectivos voos.

Cenipa acompanha investigação nos Estados Unidos

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira, foi oficialmente notificado sobre a investigação porque o avião envolvido é de projeto brasileiro. Segundo o NTSB, o órgão brasileiro participa na condição de representante do Estado de Projeto do Embraer 170, conforme as regras previstas no Anexo 13 da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). A FAB informou ainda que um investigador foi indicado para acompanhar a apuração como Representante Acreditado do Brasil.

A participação do Cenipa não significa que o Brasil ou a Embraer sejam considerados responsáveis pelo episódio. Trata-se de um procedimento de cooperação internacional previsto para investigações envolvendo aeronaves cujo projeto ou fabricação esteja relacionado a outro país. Como a ocorrência aconteceu nos Estados Unidos, a condução principal da investigação permanece sob responsabilidade das autoridades americanas.

Comunicação antes da decolagem é analisada

Um dos pontos examinados pelos investigadores envolve as comunicações realizadas antes da decolagem do helicóptero presidencial. Conforme o relatório preliminar, operações com o presidente dos Estados Unidos a bordo preveem que a tripulação entre em contato com a torre do Aeroporto Reagan três minutos antes da partida. Após o recebimento desse aviso, as decolagens no aeroporto devem ser interrompidas conforme os procedimentos estabelecidos entre as autoridades envolvidas.

Segundo o NTSB, houve ao menos duas tentativas de comunicação do Marine One com o controle de tráfego aéreo. A primeira não teria sido recebida e a segunda chegou de forma fragmentada e sem condições de compreensão pelo controlador. Como o aviso de três minutos não foi recebido, o voo 3742 da Envoy Air havia sido autorizado a decolar. A comunicação com o helicóptero foi restabelecida posteriormente, quando a aeronave alcançou altitude que proporcionava melhores condições de transmissão.

Após o incidente, técnicos da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) analisaram a cobertura de rádio e identificaram que a localização temporária de operações do Marine One no Ellipse, utilizada durante obras na Casa Branca, não oferecia linha de visada adequada para garantir a comunicação com os equipamentos então utilizados pelo controle de tráfego. Os rádios da frequência de helicópteros foram posteriormente transferidos para o topo da torre do Aeroporto Reagan. O relatório, entretanto, é preliminar, e essas informações não devem ser interpretadas como conclusão definitiva sobre a causa do episódio.

Avião recebeu alerta de tráfego durante subida

A estimativa inicial da FAA aponta que, no ponto de maior aproximação, as aeronaves ficaram a cerca de 0,82 milha náutica de distância lateral e 700 pés de separação vertical. O próprio relatório ressalta que o NTSB continua analisando dados de vigilância para confirmar essas distâncias. O documento também registra que, considerando especificamente os parâmetros citados da norma de separação por radar aplicável naquele espaço aéreo, a estimativa de 700 pés de separação vertical estaria acima do mínimo de 500 pés previsto naquele critério.

Durante a subida, a tripulação do Embraer recebeu um alerta de tráfego do sistema TCAS, acompanhado da mensagem sonora “Traffic, Traffic”. Segundo os depoimentos preliminares dos pilotos, o alvo indicado pelo sistema não chegou a ser identificado visualmente naquele momento e não houve emissão de um alerta de resolução, conhecido como RA, que determinaria uma manobra evasiva.

O NTSB mantém a investigação aberta e ressalta que todas as informações divulgadas até agora são preliminares e podem ser alteradas à medida que novas evidências sejam examinadas. A apuração deverá esclarecer em detalhes a sequência das comunicações, os procedimentos adotados pelas equipes e as circunstâncias operacionais que resultaram na aproximação entre o Marine One e o avião comercial.

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