A Polícia Federal identificou dois municípios do Acre como pontos estratégicos para a entrada de entorpecentes na região amazônica. De acordo com informações encaminhadas à CPI do Crime Organizado, Assis Brasil e Epitaciolândia concentram rotas consideradas críticas para o avanço do tráfico de drogas na Amazônia.
O levantamento aponta que a localização geográfica dessas cidades, próximas à fronteira, aliada ao intenso fluxo na BR-317, facilita a circulação de cargas ilícitas. Além da rodovia, a corporação destaca a existência de caminhos clandestinos que ampliam as possibilidades de transporte e dificultam a fiscalização.
Rotas fluviais e aéreas ampliam alcance do tráfico
O documento também revela que o escoamento das drogas não se limita ao transporte terrestre. Rotas fluviais e aéreas são utilizadas com frequência, ampliando a capacidade logística das organizações criminosas que atuam na região.
Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, o tráfico de drogas, especialmente de cocaína, é o principal fator que sustenta a atuação do crime organizado na Amazônia. A análise foi baseada em dados da Inteligência Penitenciária, que acompanha a movimentação e a estrutura dessas redes ilícitas.
Facções dominam rotas estratégicas
O relatório aponta ainda a presença consolidada de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que disputam e controlam corredores logísticos essenciais para o tráfico.
Entre as principais rotas identificadas, duas se destacam pelo volume e importância estratégica:
- Rota Solimões (fluvial): considerada um eixo fundamental entre Amazonas e Pará, utilizada por organizações criminosas com atuação internacional.
- BR-364 (terrestre): principal ligação do sudoeste amazônico, conectando Acre e Rondônia ao Mato Grosso, com acesso direto às regiões Sul e Sudeste do país.
Essas rotas funcionam como corredores de distribuição, permitindo que a droga atravesse diferentes estados até chegar aos principais centros consumidores do Brasil.
Estratégia logística fortalece crime organizado
A combinação entre vias terrestres, rios e transporte aéreo cria uma rede complexa que favorece o tráfico e desafia as autoridades. A diversidade de caminhos dificulta ações de combate e amplia o alcance das facções, que operam de forma estruturada e com presença consolidada na região.
O cenário reforça a importância de monitoramento constante e integração entre forças de segurança para conter o avanço do tráfico de drogas na Amazônia, considerado hoje um dos principais vetores do crime organizado no país.



