Sumiço de R$ 23 milhões em equipamentos expõe falhas no governo Tarcísio

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Material armazenado em prédio da secretaria estadual de Esportes, no centro de São Paulo – Foto: reprodução

A Secretaria de Esportes do governo de Tarcísio de Freitas enfrenta questionamentos após não conseguir localizar equipamentos avaliados em R$ 23 milhões. A inconsistência veio à tona durante um inventário do almoxarifado, solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), ao analisar as contas da pasta referentes a 2024.

O levantamento revelou uma diferença significativa entre os valores registrados e os bens efetivamente encontrados. De acordo com os dados, as notas de empenho indicam compras que totalizam R$ 51,5 milhões. No entanto, os materiais localizados fisicamente somam apenas R$ 16,7 milhões.

Parte desse valor foi parcialmente esclarecida. Equipamentos avaliados em R$ 11,5 milhões foram identificados posteriormente, incluindo itens que haviam sido doados ou utilizados em atividades esportivas. Ainda assim, uma quantia expressiva segue sem explicação.

Diante do cenário, a secretaria informou que iniciou procedimentos internos para apurar as inconsistências. Em comunicado oficial, a pasta afirmou que determinou a adoção de medidas para reforçar o controle, o rastreamento e a gestão patrimonial dos materiais.

Falhas no controle de estoque ampliam problema

O relatório aponta que a ausência de um sistema eficiente de controle de estoque dificultou a realização do inventário. Segundo os documentos, não havia um mecanismo adequado para acompanhar a entrada e saída dos materiais, como exige a legislação.

A divergência foi identificada durante a análise cruzada entre os dados fornecidos pela secretaria e as informações registradas no sistema de controle orçamentário. As inconsistências chamaram atenção dos auditores, que apontaram fragilidade nos registros administrativos.

Após a constatação das falhas, foi criada uma comissão específica para revisar o inventário. O grupo realizou verificações em diferentes locais vinculados à secretaria e confirmou a existência de discrepâncias entre os registros contábeis e o estoque físico.

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Material armazenado em prédio da secretaria estadual de Esportes, no centro de São Paulo – Relatório SESP/Reprodução

Dificuldade em rastrear materiais e documentos

Outro ponto crítico identificado foi a dificuldade em localizar documentos e comprovar a destinação de determinados itens. Registros incompletos e falhas na vinculação entre materiais e notas fiscais dificultaram a rastreabilidade.

Além disso, parte das solicitações de comprovação de doações não foi respondida pelos setores responsáveis, o que ampliou as dúvidas sobre a movimentação dos equipamentos.

A Secretaria de Esportes informou que segue colaborando com os órgãos de controle e que as investigações continuam em andamento. Segundo a pasta, procedimentos administrativos estão sendo revisados com o objetivo de aprimorar a fiscalização e garantir maior transparência na gestão dos recursos públicos.

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