O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quinta-feira pela soltura do funkeiro MC Ryan SP, que estava preso desde o dia 15 durante uma operação da Polícia Federal voltada ao combate à lavagem de dinheiro.
A decisão foi tomada após a Corte identificar irregularidades no processo que manteve o artista detido além do prazo inicialmente solicitado pelas autoridades.
Decisão aponta excesso no tempo de prisão
O habeas corpus foi concedido pelo ministro Messod Azulay Neto, que considerou ilegal a extensão da prisão temporária para 30 dias.
Segundo o magistrado, o próprio pedido da Polícia Federal previa detenção por apenas cinco dias período já cumprido pelo investigado. A manutenção da prisão por tempo superior, sem nova justificativa, foi considerada incompatível com a legislação.
Esse entendimento abre margem para revisão de outras prisões relacionadas à mesma operação.
Outros investigados podem ser beneficiados
A decisão não se limita ao caso de MC Ryan SP. O entendimento do STJ pode alcançar outros nomes investigados que estejam em situação semelhante, como o funkeiro MC Poze do Rodo e influenciadores digitais como Raphael Sousa Oliveira e Chrys Dias.
Caso comprovada a mesma inconsistência nos prazos das prisões, os investigados poderão solicitar a revogação das medidas.
Operação apura esquema bilionário
A ação da Polícia Federal investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de um complexo esquema de lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal, configurando uma das maiores operações recentes da corporação.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava diversas práticas ilegais para ocultar a origem dos recursos, incluindo apostas clandestinas, rifas irregulares, tráfico internacional de drogas, empresas fictícias, uso de intermediários (“laranjas”), além de transações com criptomoedas e envio de valores ao exterior.
Investigação começou com dados em nuvem
As apurações tiveram início a partir da análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado. O material foi obtido em desdobramentos das operações Narco Bet e Narco Vela, realizadas em 2025.
Segundo a Polícia Federal, os dados revelaram uma estrutura criminosa independente da investigação original, voltada especificamente à lavagem de dinheiro em larga escala.
A partir dessas informações, foi possível rastrear movimentações financeiras e identificar conexões entre diferentes integrantes do grupo.
Influenciadores e artistas sob investigação
Além de músicos, a operação também alcançou influenciadores com grande presença nas redes sociais. Entre os investigados está o responsável pela página Choquei, que reúne milhões de seguidores, além de outras figuras digitais.
As autoridades apuram se essas plataformas foram utilizadas para promover atividades ilícitas ou facilitar a circulação de recursos dentro do esquema.



