O Superior Tribunal de Justiça decidiu nesta quinta-feira (23) conceder liberdade a MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, após prisão em uma operação da Polícia Federal que investiga um amplo esquema de lavagem de dinheiro.
A investigação aponta que o grupo estaria envolvido na movimentação de cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de atividades ilegais, incluindo apostas clandestinas, rifas digitais, uso de empresas de fachada, “laranjas”, transações com criptomoedas e envio de recursos ao exterior.
A decisão do STJ considerou irregular a extensão do prazo da prisão temporária. A Polícia Federal havia solicitado cinco dias de detenção, mas a Justiça autorizou 30 dias, o que foi considerado ilegal pela Corte. MC Ryan SP foi o primeiro beneficiado, seguido pelos demais investigados nas mesmas condições.
A defesa do cantor, representada pelo advogado Felipe Cassimiro, afirmou que a decisão reconhece a ilegalidade das prisões e destacou que o prazo extrapolado foi determinante para a soltura.

Investigação começou com dados de iCloud
A Operação Narco Fluxo teve origem na análise de arquivos armazenados em iCloud pertencentes a Rodrigo de Paula Morgado, apontado como contador e operador financeiro do grupo. O material foi obtido em uma investigação anterior e revelou detalhes sobre movimentações financeiras suspeitas.
Entre os dados analisados estavam extratos bancários, registros de conversas e contratos que ajudaram a Polícia Federal a mapear a estrutura do esquema. As informações indicam que a organização já vinha sendo monitorada desde 2025, como desdobramento de outras operações, como Narco Bet e Narco Vela.
Estrutura financeira e ocultação de patrimônio
Segundo a apuração, MC Ryan SP teria papel central na operação, utilizando empresas ligadas ao entretenimento para misturar recursos lícitos com valores provenientes de apostas ilegais. A PF também aponta que o cantor utilizava terceiros, incluindo familiares, para ocultar bens e reinserir o dinheiro no sistema financeiro formal.
Os investimentos incluiriam imóveis e veículos de alto padrão, adquiridos como forma de disfarçar a origem dos recursos.
Já MC Poze do Rodo aparece vinculado ao esquema por meio de empresas e estruturas financeiras associadas às apostas e rifas ilegais. De acordo com a investigação, ele teria participação ativa na organização financeira, especialmente na fragmentação e redistribuição dos valores ilícitos.
O artista foi preso em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro e pode responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas.
Operadores e movimentações suspeitas
A Polícia Federal identificou ainda a atuação de operadores financeiros ligados ao grupo. Um deles é Tiago de Oliveira, apontado como braço direito de MC Ryan, responsável por gerenciar recursos e executar transações em nome do cantor.
Outro nome citado é Alexandre Paula de Sousa Santos, suspeito de realizar centenas de transferências fracionadas — técnica conhecida como “smurfing” — para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Apreensões e bloqueio bilionário
Durante a operação, foram apreendidos carros de luxo, joias, relógios e documentos financeiros. Na residência de MC Ryan, agentes encontraram um colar com a imagem do narcotraficante Pablo Escobar.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1,63 bilhão em bens e ativos digitais, incluindo valores mantidos em plataformas de criptomoedas como Foxbit, Mercado Bitcoin, Binance e Coinbase.
As investigações seguem em andamento.



