A Justiça Federal aceitou uma queixa-crime apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela defesa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contra o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff. Com a decisão, o parlamentar municipal passa à condição de réu por difamação.
O caso tem origem em um vídeo publicado por Pedro Rousseff em 1º de junho de 2025. Na gravação, o vereador faz declarações sobre o envio de emendas parlamentares destinadas por Nikolas Ferreira ao município de Nova Serrana, localizado na região centro-oeste de Minas Gerais.
Segundo o Ministério Público Federal, o conteúdo divulgado ultrapassou os limites da crítica política e atingiu diretamente a reputação do deputado. A acusação aponta que o vereador associou o repasse de aproximadamente R$ 1,5 milhão ao fato de Enéas Fernandes, tio de Nikolas, ser pré-candidato à prefeitura da cidade.
De acordo com a denúncia, Pedro Rousseff teria feito insinuações envolvendo possível ligação indireta com tráfico internacional, desvio de recursos públicos e relações com organizações criminosas. Para o MPF, essas declarações comprometem a honra do parlamentar e justificam o andamento da ação penal.
Ao analisar o caso, a Justiça Federal entendeu que existem elementos suficientes para o prosseguimento da queixa-crime. A decisão não representa condenação, mas marca o início da fase processual, que inclui produção de provas e manifestação das partes envolvidas.
Em nota, Nikolas Ferreira afirmou que a decisão judicial reconhece indícios de difamação nas falas do vereador. O deputado disse que foi alvo de acusações sem provas relacionadas à destinação de emendas parlamentares e a supostas ligações familiares com atividades ilícitas.
“Crítica política é legítima. Difamação não. Quem ultrapassa esse limite, responde por isso”, declarou.
Procurado, Pedro Rousseff afirmou que ainda não havia sido formalmente notificado sobre a decisão judicial. “Não possuo conhecimento integral do conteúdo”, disse.
Posteriormente, o vereador declarou que o processo faz parte de uma série de ações movidas por Nikolas Ferreira contra ele. Segundo Rousseff, as iniciativas teriam o objetivo de intimidar sua atuação política.
“Ele faz isso pra tentar me calar e cassar nosso mandato. Quer dizer que estamos incomodando e muito ele. E não vamos parar até mostrar pro Brasil todo a verdade sobre ele”, afirmou.
O caso ocorre em meio a um cenário de forte embate político em Minas Gerais, envolvendo figuras de destaque nacional e regional. A discussão gira em torno dos limites entre liberdade de expressão e responsabilidade legal no discurso político, especialmente em ambientes digitais.
A aceitação da queixa-crime pela Justiça Federal não define culpa, mas indica que o Judiciário identificou indícios suficientes para aprofundar a análise dos fatos.
A partir de agora, o processo seguirá com coleta de provas, depoimentos e avaliação jurídica sobre o conteúdo das declarações. Caberá à Justiça decidir se houve difamação ou se as falas estão protegidas pelo direito à crítica política.
O caso pode gerar novos desdobramentos no cenário político e jurídico, especialmente em um período de crescente judicialização de disputas entre agentes públicos.