Reviravolta em Campos (RJ): Justiça anula júri e solta acusados

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução

A anulação do júri popular que condenou os envolvidos na morte de Ana Paula Ramos provocou uma reviravolta no caso em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense do Rio de Janeiro. A decisão da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça levou à soltura de dois réus que estavam presos desde a condenação em 2021.

Com a anulação do julgamento, Luana Barreto Sales, apontada como mandante do crime, e Igor de Souza, acusado de executar os disparos, passaram a responder ao processo em liberdade.

Outros envolvidos também tiveram desdobramentos distintos no caso. Wermison Ribeiro, citado como um dos autores, cumpria prisão domiciliar, mas morreu após um acidente. Já Marcelo Damasceno, denunciado por participação, foi julgado separadamente, condenado a 13 anos de prisão e permanece detido.

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro foi baseada em um episódio ocorrido durante o julgamento realizado em 2021. Na ocasião, um dos jurados teve acesso indireto a informações sobre o processo ao ouvir um dos réus comentar o caso.

Embora o juiz responsável tenha decidido desmembrar o julgamento apenas em relação ao acusado envolvido naquele momento, os desembargadores entenderam posteriormente que a situação comprometeu a imparcialidade de todo o júri. Com isso, a sessão foi anulada integralmente.

A assistência de acusação informou que pretende recorrer da decisão, o que pode levar o caso novamente às instâncias superiores e prolongar ainda mais o processo judicial.

Ana Paula Ramos foi baleada no dia 19 de agosto de 2017, no fim da tarde, em uma praça no Parque Rio Branco, no bairro de Guarus, em Campos dos Goytacazes. O crime ocorreu na Rua Comendador Pinto.

A vítima foi atingida por quatro disparos, incluindo um na cabeça, e morreu quatro dias depois no Hospital Ferreira Machado, unidade de referência na região Norte Fluminense.

Inicialmente tratado como latrocínio, o caso teve uma reviravolta durante as investigações conduzidas pela 146ª Delegacia de Polícia. A apuração indicou que o crime teria sido premeditado.

Segundo a investigação, Luana Barreto Sales, cunhada da vítima e amiga de longa data, teria oferecido R$ 2,5 mil para a execução do assassinato. O plano teria sido executado por Wermison Ribeiro e Igor de Souza, com intermediação de Marcelo Damasceno. Parte do valor teria sido paga antes do crime, com o restante combinado para depois.

Com a anulação do júri, o processo retorna a uma etapa anterior, e um novo julgamento deverá ser realizado. Até lá, os réus seguem respondendo em liberdade, enquanto o caso volta a gerar repercussão em Campos e em todo o estado do Rio de Janeiro.

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