Cinco dias após anunciar que não lançaria Cleitinho Azevedo na disputa pelo governo de Minas Gerais, o Republicanos abriu espaço para reavaliar a decisão. O senador tem uma reunião marcada nesta segunda-feira (3) com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, para discutir a possibilidade de entrar na corrida pelo Palácio Tiradentes.
A expectativa de aliados é que Cleitinho receba o aval do partido para disputar o cargo. Marcos Pereira, que anteriormente havia demonstrado resistência à candidatura, passou a admitir uma revisão da decisão depois que candidatos a deputado federal e estadual ameaçaram desistir da disputa caso o senador não concorra ao governo.
Em declaração ao GLOBO, Pereira afirmou que a reunião deverá definir os próximos passos. Segundo ele, a preocupação da legenda é preservar as chapas proporcionais em Minas Gerais, diante da possibilidade de desistências provocadas pela ausência de Cleitinho na eleição majoritária.
Cleitinho sinaliza disposição para disputar
No domingo, Cleitinho publicou uma mensagem nas redes sociais indicando que está disposto a enfrentar a disputa. Sem mencionar diretamente a eleição para governador, o senador afirmou que aceita a missão e utilizou uma referência à história bíblica de Davi e Golias para reforçar o tom de enfrentamento político.
A manifestação ocorreu após um período de silêncio do parlamentar, iniciado depois da morte de seu irmão mais novo, Matheus Azevedo. Aliados interpretaram a publicação como um sinal de que Cleitinho teria finalmente decidido entrar na disputa pelo comando do estado.
Apesar dos sinais dados pelo senador, o Republicanos havia anunciado na quarta-feira que não apoiaria sua candidatura. A legenda chegou a indicar apoio a Marcelo Aro, do PP, ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais, para concorrer ao governo estadual.
Mudança pode alterar composição da chapa
Caso Cleitinho seja confirmado como candidato ao governo de Minas Gerais, Marcelo Aro deverá ser lançado para uma das vagas ao Senado na mesma chapa. O deputado Domingos Sávio, do PL, aparece como possível nome para a outra candidatura ao Senado.
O grupo também deverá apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL. A articulação política envolve ainda lideranças do PL em Minas Gerais e integrantes da direção nacional do Republicanos.
Inicialmente, Marcelo Aro estava cotado para disputar o Senado na chapa do governador Matheus Simões, do PSD. O cenário mudou depois que o senador Carlos Viana, também do PSD, entrou na composição como candidato à reeleição.
Indefinição se arrasta desde o ano passado
Cleitinho lidera as pesquisas eleitorais em Minas Gerais, mas vem dando sinais contraditórios sobre sua intenção de disputar o governo desde o fim do ano passado. A indefinição aumentou após a morte de seu irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho.
O Republicanos esperava que o senador anunciasse sua decisão antes da convenção estadual da legenda, realizada em 26 de julho. Cleitinho, no entanto, não participou do evento e não confirmou oficialmente a candidatura.
A resistência inicial da cúpula partidária também estava relacionada ao perfil político do senador, considerado por dirigentes como independente e frequentemente crítico da classe política. Havia preocupação de que Cleitinho direcionasse ataques a integrantes do próprio Republicanos durante a campanha.
A possibilidade de uma crise interna, porém, passou a ameaçar a estratégia do partido para eleger deputados em Minas Gerais. Diante desse cenário, a legenda voltou a negociar com o senador e agora avalia uma possível mudança de posição sobre sua candidatura ao governo estadual.




