Pular para o conteúdo
Política

Relatório da CGU aponta que emendas Pix são menos transparentes e até 25% mais caras

Por 4 min de leitura Expresso Rio
relatorio-da-cgu-aponta-que-emendas-pix-sao-menos-transparentes-e-ate-25%-mais-caras
Relatório da CGU aponta que emendas Pix são menos transparentes e até 25% mais caras
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que a compra de máquinas e equipamentos financiada por emendas Pix tende a sair mais cara para os cofres públicos, informa o blog da Camila Bomfim no portal g1. Segundo a auditoria, a fragmentação das aquisições reduz o poder de negociação do governo e dificulta a transparência e a rastreabilidade dos recursos.

O documento foi encaminhado em 22 de julho ao gabinete do ministro Flávio Dino, relator no STF de ações relacionadas às emendas parlamentares que ficaram conhecidas como Orçamento Secreto.

A análise examinou mais de 3 mil registros de compras de equipamentos pesados realizadas em todo o país. Entre os itens avaliados estão retroescavadeiras, motoniveladoras e tratores de esteiras, normalmente adquiridos para obras de infraestrutura, manutenção de estradas e atendimento de demandas municipais.

A CGU comparou compras centralizadas por ministérios com aquisições descentralizadas feitas por convênios e por meio de transferências especiais, modalidade conhecida como emenda Pix.

Compras analisadas movimentaram bilhões

De acordo com o relatório, as aquisições envolvendo cinco categorias de equipamentos chegaram a movimentar R$ 12,9 bilhões. A auditoria identificou diferenças relevantes entre os preços obtidos nas compras realizadas diretamente pelos órgãos federais e aqueles pagos em operações pulverizadas.

A estimativa da Controladoria é de que a economia poderia alcançar aproximadamente 25% caso as aquisições fossem conduzidas de forma centralizada pelos ministérios, em vez de executadas separadamente por municípios e outros beneficiários de emendas parlamentares.

O levantamento indica que as compras em maior escala permitem melhores condições de negociação, além da adoção de critérios mais uniformes para a pesquisa de preços, a definição das especificações técnicas e a seleção dos fornecedores.

Na avaliação da CGU, o problema não está necessariamente no equipamento adquirido, mas no modelo adotado para aplicar o dinheiro público.

Fragmentação reduz eficiência do gasto

O relatório atribui o custo mais elevado das compras com emendas Pix à fragmentação dos recursos. Em vez de uma aquisição conjunta e planejada, os valores são distribuídos entre diferentes municípios, que realizam processos separados para comprar equipamentos semelhantes.

Essa pulverização diminui a capacidade de obter descontos por volume e pode gerar diferenças expressivas entre os preços pagos por máquinas com características equivalentes.

As análises da Controladoria apontam que o gasto fragmentado apresenta menor eficiência quando comparado às aquisições centralizadas nos órgãos federais. O modelo também aumenta o número de procedimentos administrativos, pesquisas de preços, contratos e fornecedores envolvidos.

Outro problema identificado é a dificuldade para acompanhar todo o caminho percorrido pelos recursos. Nas emendas Pix, o dinheiro é transferido diretamente para estados e municípios, sem a necessidade de convênio tradicional com o governo federal.

Esse formato proporciona maior agilidade ao repasse, mas tem sido questionado por órgãos de controle devido às limitações de transparência e rastreabilidade sobre a execução das despesas.

Centralização permitiria economia

A CGU concluiu que a centralização das compras em ministérios federais poderia reduzir os custos e melhorar o planejamento das aquisições. Para isso, os órgãos precisariam realizar pesquisas adequadas de preços e basear os processos em necessidades devidamente documentadas pelos municípios.

Uma das alternativas apresentadas é a criação de atas federais de registro de preços. Nesse modelo, um ministério realiza uma licitação de maior escala e estabelece previamente os valores, as especificações e os fornecedores dos equipamentos.

Posteriormente, os municípios interessados podem aderir à ata e adquirir as máquinas nas mesmas condições negociadas pelo governo federal.

Segundo a Controladoria, essa solução aumentaria o poder de compra da administração pública, reduziria as diferenças de preços e evitaria que centenas de municípios realizassem procedimentos independentes para adquirir produtos semelhantes.

O mecanismo também poderia facilitar o controle dos recursos, uma vez que as condições das compras estariam registradas em uma estrutura nacional e sujeitas a critérios padronizados.

Relatório não questiona legalidade das emendas

A CGU ressaltou que o estudo não analisa a legalidade das emendas parlamentares nem questiona a prerrogativa de deputados e senadores de indicar recursos para estados e municípios.

O foco da auditoria está nas consequências econômicas e administrativas da fragmentação dos gastos públicos. A conclusão é de que, mesmo quando as compras seguem os procedimentos formais, a pulverização pode fazer com que o governo pague mais pelos mesmos equipamentos.

O relatório deverá integrar a análise conduzida pelo ministro Flávio Dino sobre os mecanismos de transparência, controle e rastreamento das emendas parlamentares.

As emendas Pix estão sob acompanhamento do STF diante de questionamentos sobre a dificuldade para identificar com precisão os responsáveis pela indicação, o destino final do dinheiro e os resultados obtidos com as transferências.

Ouvir texto Pronto