O reajuste de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras e em vigor desde sexta-feira (1º), acendeu um sinal de alerta no setor aéreo brasileiro, com possíveis reflexos no custo das passagens, inclusive no Rio de Janeiro.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o aumento representa um acréscimo médio de cerca de R$ 1 por litro no combustível utilizado pelas aeronaves. Em nota, a entidade destacou preocupação com os impactos diretos nas operações das companhias, já pressionadas por custos elevados.
O combustível é um dos principais componentes das despesas das empresas aéreas, podendo representar uma parcela significativa do custo total dos voos. Com a alta recente, o setor teme novos reajustes nas tarifas, afetando passageiros em todo o país, incluindo aeroportos estratégicos do estado do Rio de Janeiro, como o Galeão, na capital, e o aeroporto de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
Segundo a Abear, este é o terceiro aumento consecutivo no preço do QAV desde o início dos conflitos no Oriente Médio, fator que tem influenciado diretamente o mercado internacional de combustíveis. A instabilidade geopolítica elevou o preço do petróleo e, consequentemente, impactou derivados como o querosene de aviação.
No contexto atual, especialistas apontam que a tendência de alta pode gerar efeito cascata, pressionando não apenas as companhias aéreas, mas também o turismo e a economia regional. No Rio de Janeiro, um dos principais destinos turísticos do Brasil, o encarecimento das passagens pode reduzir a demanda por viagens, especialmente em períodos de baixa temporada.
Apesar do cenário desafiador, as empresas ainda avaliam estratégias para minimizar os impactos e evitar repasses imediatos ao consumidor. No entanto, o setor não descarta ajustes nos preços caso a tendência de alta do combustível se mantenha nas próximas semanas.