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Política

Quaest: Antipetismo perdoa Flávio, e Lula precisa destravar o fim da 6×1

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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Quaest: Antipetismo perdoa Flávio, e Lula precisa destravar o fim da 6×1
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Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Há dois movimentos distintos na pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje, que mostra Flávio Bolsonaro oscilando dois pontos para cima e Lula, um para baixo no primeiro turno — a margem de erro é de dois pontos. O antipetismo tampa o nariz para os escândalos do senador e falta bambu para flechas eleitorais do presidente, como a aprovação do fim da escala 6×1.

A direita bolsonarista e a não bolsonarista estão absorvendo e absolvendo os escândalos relacionados ao filho do ex-presidente (R$ 61 milhões recebidos de Daniel Vorcaro, a acusação de “Tariflávio” e as denúncias de Michelle) e, com isso, ele recupera território.

Mesmo que não seja o melhor candidato para muitos, é aquele que, hoje, tem mais chance contra Lula. Então, na linha do “não tem outro, vai ele mesmo”, o senador acaba personificando o voto antipetista. Os outros (Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema) não conseguem crescer devido aos eleitores cativos do clã.

Do outro lado, o pacotão de bondades eleitorais de Lula foi celebrado por parte da população nas pesquisas anteriores, mas também foi absorvido e deixou de ser novidade. O total de beneficiados pelo programa que sentiram alguma diferença com a chegada do Desenrola 2 passou de 66%, em julho, para 61%, em agosto.

Da mesma forma, passou de 59% para 53% o total dos beneficiários da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil que sentiram a renda aumentar, enquanto subiu de 39% para 46% o total dos que dizem não ter sentido a diferença. Lula mantém a aprovação em 48% e a desaprovação em 47%, mas, considerando o período eleitoral, isso é insuficiente para ganhar terreno.

Ainda mais em um momento em que a extrema direita internacional busca interferir na eleição brasileira a favor de Flávio, com o tarifaço de Donald Trump e os ataques de Javier Milei. Isso se reflete no aumento de notícias mais negativas sobre o governo percebidas pelo eleitorado (de 40% para 44%) e na redução daquelas mais positivas (de 33% para 29%). Tanto que a avaliação negativa sobre a resposta de Lula ao tarifaço foi de 36% para 43%.

O governo tem a máquina nas mãos, tal qual Jair Bolsonaro teve em 2022. O que não é pouco, considerando o potencial de distribuição de bondades que afetem a percepção da qualidade de vida. Mas ele só tem mais dois meses para isso, o que reduz a margem de manobra.

Uma das medidas com potencial eleitoral é a aprovação, pelo Senado Federal, do fim da escala 6×1 de trabalho e da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados, está parada na Câmara Alta.

Uma parte dos ministros de Lula articula para colocá-la em votação, mas outra parece ter desistido, repetindo a fantasia de que a medida será aprovada após as eleições. O que talvez possa acontecer com uma vitória do petista. Mas o “incentivo” para votar a favor, o risco eleitoral para os senadores, vai se diluir no primeiro turno.

Não à toa, a bancada bolsonarista de senadores, inclusive o próprio Flávio Bolsonaro, se esforçou tanto para bloquear o trâmite da medida — bloqueio que conta com o apoio do presidente Davi Alcolumbre, que, ao contrário de Hugo Motta na Câmara, sentou em cima da proposta.

A mudança, que depende do parlamento e não só do governo, está “precificada” na cabeça de parte do eleitorado. Se ela não aparecer, um sentimento amargo pode surgir. O povo está menos interessado em saber que “o Congresso é inimigo do povo” e mais que seja entregue a promessa de que os trabalhadores vão poder ter um dia a mais na semana para viver. Senadores podem ter problemas para se reeleger, mas a campanha de Lula também seria questionada com isso.

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