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Polícia

PF analisa mensagens de Lulinha com lobista sobre negócios e reuniões no governo

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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A Polícia Federal analisa mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e à empresária Roberta Luchsinger no âmbito de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência. Diálogos revelados nesta segunda-feira (17) pelo Metrópoles mostram os dois conversando sobre negócios e citando reuniões com integrantes que ocupavam postos estratégicos no governo. Lulinha é investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal, mas não há, até o momento, condenação ou conclusão definitiva de que tenha praticado qualquer ilícito.

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Imagens: Divulgação Metrópoles
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Uma das conversas é datada de 22 de março de 2024. Segundo o material publicado, Roberta afirma que os dois atuavam em um “nível diferenciado” e menciona a Suíça ao falar sobre o futuro. No mesmo diálogo, Lulinha faz referência a reuniões envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então ligado diretamente ao gabinete presidencial, e Swedenberger Barbosa, que naquele período ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde. A existência dessas conversas, por si só, não comprova tráfico de influência nem demonstra que as reuniões tenham resultado em favorecimento ou contratação irregular.

A frente investigativa ganhou relevância porque a PF apura se Lulinha e Roberta teriam atuado em interesses relacionados à World Cannabis, empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo informações sobre a investigação publicadas pela Folha de S.Paulo, a polícia busca esclarecer eventuais atuações perante o Ministério da Saúde e integrantes do gabinete da Presidência. A defesa de Lulinha sustenta que ele não participou de negociações, não investiu recursos no empreendimento e não teve participação societária no projeto.

Roberta também entrou no radar da investigação após a PF identificar R$ 1,5 milhão em transferências feitas por empresa relacionada a Antonio Carlos Antunes para uma companhia da empresária. Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, Antunes teria indicado que determinado pagamento de R$ 300 mil se destinava ao “filho do rapaz”. A PF passou a apurar se a expressão poderia fazer referência a Lulinha, mas essa interpretação permanece como hipótese investigativa e não como fato comprovado. Roberta nega ter repassado recursos ao filho do presidente e afirma que os valores recebidos correspondiam a serviços profissionais relacionados à regulamentação do canabidiol, com documentação fiscal.

Os diálogos divulgados também mencionam Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha. Segundo a reportagem, investigadores interpretam as referências a “Fernando” e “Fefe” como menções ao empresário. Em outra troca de mensagens, Roberta afirma que Bittar estaria utilizando o nome de Lulinha em uma tentativa de negociação envolvendo a Telebras. Lulinha pergunta se a informação havia sido desmentida, e Roberta responde que sim. O conteúdo deverá ser analisado dentro do conjunto probatório para que se determine seu contexto e eventual relevância para os inquéritos.

As investigações envolvendo o filho do presidente avançaram nas últimas semanas. Segundo a CNN Brasil e a Folha, há procedimentos no STF que apuram, entre outras hipóteses, possível tráfico de influência relacionado ao Ministério da Saúde e à Dataprev. O fato de uma pessoa estar sob investigação não significa que as suspeitas estejam comprovadas, e eventuais responsabilidades dependem da conclusão das apurações e do devido processo legal.

A defesa de Lulinha afirma que ele “não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade” e sustenta que sua movimentação fiscal e bancária não revela ilícitos. Os advogados também criticaram o que classificam como divulgação seletiva de informações protegidas por sigilo e disseram enxergar possível utilização política das investigações. A defesa de Roberta, por sua vez, já pediu o arquivamento das apurações que a envolvem, alegando inexistência de elementos concretos de irregularidade e afirmando que sua relação com Lulinha é de natureza pessoal.

Na sexta-feira (14), Lula afirmou acreditar no filho, mas defendeu que as investigações prossigam. O presidente disse que não pretende utilizar o cargo para impedir a apuração e declarou que, caso alguma responsabilidade seja comprovada, o filho deverá responder pelos próprios atos.

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