A chamada PEC da Hora Trabalhada começou a ganhar espaço no Senado Federal após ser protocolada pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta surge em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1 e pretende criar um regime de remuneração baseado nas horas efetivamente trabalhadas, ampliando a flexibilização das relações entre empregadores e trabalhadores.
O texto foi apresentado nesta semana e recebeu o apoio inicial de 38 senadores. Além disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhou rapidamente a matéria para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), acelerando os primeiros passos da tramitação legislativa.
A proposta estabelece a possibilidade de adoção de contratos com pagamento por hora trabalhada, permitindo maior flexibilidade na definição das jornadas. Segundo o texto, acordos individuais entre empregador e empregado poderiam prevalecer sobre convenções coletivas e dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em determinadas situações.
O objetivo, de acordo com os defensores da medida, é ampliar as opções de contratação e permitir que trabalhadores escolham jornadas mais adaptáveis às suas necessidades, recebendo remuneração proporcional ao tempo efetivamente trabalhado.
Embora proponha mudanças nas formas de contratação e remuneração, a PEC mantém o limite constitucional de 44 horas semanais de trabalho. Dessa forma, a proposta não elimina o teto atualmente previsto na legislação brasileira.
Os apoiadores argumentam que o modelo pode ampliar oportunidades de emprego e oferecer mais liberdade de negociação entre as partes. Já críticos da proposta avaliam que a medida pode gerar discussões sobre a preservação de direitos trabalhistas historicamente consolidados.
A apresentação da PEC ocorre logo após o avanço das discussões relacionadas ao fim da escala 6×1, tema que tem mobilizado sindicatos, representantes empresariais e parlamentares em diferentes esferas do Congresso Nacional.
Nos bastidores, a iniciativa é vista como uma resposta política ao movimento favorável à redução da jornada de trabalho. O debate ganhou força nos últimos meses e passou a integrar a agenda legislativa de diversas correntes políticas.
O próximo passo da proposta será a análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O colegiado é presidido pelo senador Otto Alencar, que já demonstrou apoio à discussão sobre redução da jornada de trabalho.
Com isso, a tramitação da PEC da Hora Trabalhada deverá envolver negociações entre parlamentares, representantes de trabalhadores, entidades empresariais e demais setores interessados no tema.
O avanço ou não da proposta dependerá das discussões dentro da CCJ e, posteriormente, do apoio necessário para votação em plenário. O tema promete ampliar o debate nacional sobre modelos de contratação, produtividade, geração de empregos e direitos trabalhistas.

