O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi classificado pelo governo dos Estados Unidos como a principal ameaça à segurança nacional do Brasil. A avaliação consta em um relatório oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que aponta o avanço da facção dentro e fora do território brasileiro.
De acordo com o documento, obtido pela imprensa, o PCC tem ampliado sua presença de forma significativa, atuando atualmente em 22 estados brasileiros e em pelo menos 16 países. O relatório destaca que o Brasil ocupa posição central no cenário internacional do tráfico de drogas, sendo o segundo maior consumidor de cocaína em volume absoluto, atrás apenas dos próprios Estados Unidos.

A análise também ressalta a localização estratégica do Brasil, que faz fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo. Esse fator transforma o país tanto em destino quanto em rota de passagem para o tráfico internacional de entorpecentes.
O documento aponta ainda que autoridades brasileiras já interceptaram carregamentos de cocaína por via aérea e marítima com destino a diferentes continentes, incluindo América do Norte, África e Europa. Segundo o relatório, as operações do PCC já alcançaram inclusive território norte-americano, ampliando o nível de preocupação das autoridades internacionais.
A classificação surge em meio à intenção dos Estados Unidos de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. Caso essa medida avance, poderá abrir espaço para sanções mais rígidas, intensificação da cooperação policial e até ações com alcance fora do território americano. Esse movimento tende a elevar o tema da segurança pública brasileira ao campo diplomático, com possíveis reflexos nas relações entre os dois países.
O relatório também enfatiza o aumento da cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas. Um dos principais pontos dessa parceria é o treinamento de agentes da Polícia Federal do Brasil por autoridades norte-americanas, com foco em técnicas de investigação e apreensão.
Como resultado dessa colaboração, operações recentes foram destacadas. Em maio de 2024, após treinamento nos EUA, agentes brasileiros realizaram uma grande apreensão no estado do Amazonas, confiscando cerca de 2,2 toneladas de cocaína, além de outros 76 quilos da droga. Segundo o Departamento de Estado, essa foi a maior apreensão do tipo já registrada na região amazônica.
Outro caso citado ocorreu em agosto do mesmo ano, quando a Polícia Federal apreendeu 114 quilos de cocaína escondidos no porão de um navio no Porto de Santos, que tinha como destino a Europa. A operação contou com mergulhadores especializados treinados com apoio financeiro dos Estados Unidos.
Por fim, o governo americano destacou esforços do Brasil para ampliar a cooperação internacional no combate às drogas sintéticas. Entre as ações estão o fortalecimento de sistemas de alerta precoce e a participação em iniciativas globais voltadas ao monitoramento de novas substâncias psicoativas.



