O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou nesta segunda-feira (3) que o sistema eletrônico de votação é um “patrimônio da democracia brasileira”. A defesa pública ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repetir uma informação falsa sobre as urnas e ministros do Supremo Tribunal Federal cobrarem uma reação mais enfática da Justiça Eleitoral.
Ao reabrir os trabalhos do segundo semestre, Nunes Marques anunciou a primeira Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação. Segundo ele, demonstrações públicas, visitas e atividades educativas devem ampliar o conhecimento sobre a robustez, a auditabilidade e a evolução tecnológica das urnas.
“As portas da Justiça Eleitoral permanecem abertas para quem deseja conhecer, acompanhar e fiscalizar o processo eleitoral”, afirmou. O ministro disse que a transparência é um dos pilares necessários para preservar a confiança da sociedade nas eleições.
A manifestação ocorre menos de duas semanas depois de Flávio Bolsonaro alegar, durante uma reunião com diplomatas, que equipamentos usados no Brasil teriam a mesma origem das máquinas da empresa Smartmatic utilizadas na Venezuela. O senador citou ainda documentos da CIA sobre possíveis fraudes venezuelanas para lançar suspeitas sobre o sistema brasileiro.
🇧🇷🗳 O ministro Nunes Marques deu início ao segundo semestre de atividades do TSE hoje. O presidente do Tribunal defendeu a transparência do processo eleitoral e a necessidade de mostrar a população como funciona as urnas eletrônicas. pic.twitter.com/jE2nScS4zj
— Brasil Conservador®️🇧🇷🇺🇸🇮🇱100%SDV (@MachadoDarlon) August 3, 2026
O TSE informa que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou programas usados na votação brasileira, e que a fala de Flávio é mentirosa. O projeto dos equipamentos foi concebido e é administrado pela própria Justiça Eleitoral, enquanto a fabricação ocorre sob sua coordenação por empresas escolhidas em licitações.
Na abertura da semana, técnicos desmontaram uma urna diante de cerca de 150 estudantes de uma escola pública de Brasília. O TSE informou que o sistema passa por mais de 40 etapas de fiscalização e auditoria, funciona totalmente desconectado da internet e permite a conferência pública dos resultados por meio dos boletins de urna.
Nunes Marques foi indicado por Jair Bolsonaro ao STF em 2020. No julgamento que tornou o ex-presidente inelegível por ataques ao sistema eleitoral, o ministro votou pela absolvição, mas defendeu a integridade das urnas. Agora, além de comandar o TSE durante a eleição de 2026, ele também relata uma representação apresentada pela federação formada por PT, PCdoB e PV contra Flávio pela divulgação da informação falsa.
Depois da repercussão, Flávio afirmou que aceitará o resultado da eleição e disse acreditar que o TSE atuará de forma imparcial. A Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação segue até domingo (9), com exposições, simulações, visitas guiadas e ações de combate à desinformação em todo o país.




