O governo do Paraguai cobrou do Brasil nesta sexta-feira (31) a devolução de canhões, artefatos militares e documentos da Guerra da Tríplice Aliança, em meio à crise diplomática aberta por uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito. A reivindicação retoma um pleito histórico de Assunção pela repatriação de objetos levados como troféus de guerra.
O pedido paraguaio inclui o Canhão Presidente López, o Canhão Cristão — um obuseiro forjado com metais e sinos de igrejas — e cópias de documentos históricos sobre a guerra travada entre 1864 e 1870. Parte do acervo está em arquivos, museus brasileiros e no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano receberam o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para apresentar protesto, desagrado e “rechaço absoluto” às declarações de Lula. As autoridades entregaram uma carta ao diplomata brasileiro.
Alliana afirmou que o governo de Santiago Peña levou sua posição ao mais alto nível político. A chancelaria paraguaia informou que Peña e Lula conversaram por telefone após o episódio, enquanto o Brasil ainda não respondeu ao novo pedido de repatriação dos itens.
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”A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia, o Paraguai invadiu o Brasil. (…) E aquela guerra que parecia que era nada, durou cinco anos”, afirmou. pic.twitter.com/FebjhOuY3n
— RT Brasil (@rtnoticias_br) July 24, 2026
Discurso de Lula motivou reação do governo paraguaio
A cobrança ocorreu depois de um discurso de Lula em Jacareí (SP), no dia 24 de julho. Ao defender investimentos em defesa, o presidente afirmou: “A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina.”
O governo paraguaio contesta a interpretação de que o país iniciou o conflito. A Câmara dos Deputados do Paraguai acusou Lula de distorcer e minimizar a história da guerra e cobrou respeito ao sofrimento da população paraguaia, que atribui ao conflito um impacto demográfico do qual o país não teria se recuperado.
Marcondes explicou às autoridades paraguaias o contexto da fala e sustentou que ela sofreu distorção, sem intenção de ofender o país ou sua população. O embaixador também citou a amizade histórica, a cooperação bilateral e a relação entre os dois presidentes.
O Paraguai trata a devolução dos objetos como medida de reconciliação com Brasil, Argentina e Uruguai, países que integraram a aliança militar contra Assunção e hoje são parceiros no Mercosul. O Brasil já devolveu lotes de artefatos nas décadas de 1970 e 1980, entre eles a espada que Francisco Solano López portava quando morreu.




