A morte de Lizandra Adilha Paula Leite, de 46 anos, está sendo investigada pela Polícia Civil após a vítima dar entrada em uma unidade de saúde de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, com ferimentos graves que acabaram levando ao seu óbito. O principal suspeito é o marido da mulher, que não foi localizado desde o ocorrido.
O caso mobiliza familiares, autoridades e moradores da região. A investigação busca esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte e verificar a origem das lesões apresentadas pela vítima antes de sua internação.
Versão apresentada pelo marido é contestada pela família
Segundo relatos de parentes, o companheiro de Lizandra entrou em contato com familiares informando que ela teria sido vítima de uma briga de rua e esfaqueada durante a confusão. Ele também teria comunicado que a mulher estava internada na Unidade de Pronto Atendimento Patrícia Marinho, em Nova Iguaçu.
A narrativa, porém, é rejeitada pelos familiares. Pessoas próximas afirmam que o relacionamento era marcado por episódios recorrentes de agressões, ameaças e conflitos. De acordo com esses relatos, Lizandra evitava registrar denúncias formais por receio de represálias.
Após deixar a mulher na unidade de saúde, o homem desapareceu. Desde então, familiares afirmam não ter conseguido contato e seu paradeiro segue desconhecido.
Atendimento médico apontou quadro grave e suspeita de agressão
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu, Lizandra chegou à unidade apresentando lesões pelo corpo, fortes dores abdominais e sangramento.
A paciente recebeu atendimento emergencial, foi medicada e permaneceu internada sob cuidados da equipe médica. Durante a assistência, sofreu sucessivas paradas cardiorrespiratórias.
Os profissionais de saúde conseguiram reanimá-la em duas ocasiões. Na terceira parada, entretanto, ela não resistiu.
Segundo a própria secretaria, diante da suspeita de agressão física, a Polícia Civil foi imediatamente acionada para acompanhar o caso.
Perícia e investigação buscam esclarecer a dinâmica dos fatos
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), responsável pelos exames periciais que deverão determinar oficialmente a causa da morte e auxiliar na reconstrução dos acontecimentos.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada na 56ª Delegacia de Polícia (Comendador Soares). Com a confirmação do óbito, a investigação passou a ser conduzida pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).
Segundo a Polícia Civil, equipes realizam diligências para localizar o principal suspeito e reunir elementos que permitam esclarecer a dinâmica do caso.
Violência contra a mulher segue como desafio no estado do Rio
Casos de violência doméstica continuam entre as principais preocupações das autoridades de segurança pública no estado do Rio de Janeiro. Especialistas apontam que situações de agressão frequentemente permanecem invisíveis por longos períodos, sobretudo quando vítimas convivem com medo, dependência emocional ou receio de denunciar seus agressores.
Em diversos episódios investigados pelas autoridades, familiares relatam que os sinais de violência já existiam antes dos crimes chegarem ao conhecimento oficial dos órgãos de proteção.
A legislação brasileira prevê mecanismos específicos para proteção das mulheres em situação de risco, incluindo medidas protetivas de urgência, acompanhamento policial e atendimento especializado em delegacias.
Familiares cobram respostas e responsabilização
O corpo de Lizandra foi sepultado neste domingo. Durante as despedidas, familiares voltaram a pedir que as circunstâncias da morte sejam completamente esclarecidas.
A expectativa é que os laudos periciais, os depoimentos já colhidos e as próximas diligências realizadas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense contribuam para definir a responsabilidade criminal pelo caso.
Até a publicação desta reportagem, o principal suspeito não havia sido localizado. As investigações seguem em andamento e o espaço permanece aberto para manifestações das partes envolvidas.

