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MP Federal aponta dívida de R$ 197 milhões e crise na saúde em Campo Grande: o que está acontecendo?

Por Atualizado em 3 Jul 2026, 23h39 4 min de leitura Expresso Rio
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A crise no abastecimento de medicamentos e materiais hospitalares na rede municipal de saúde de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ganhou novos desdobramentos após investigação do Ministério Público Estadual (MPE). Segundo informações divulgadas pelo órgão, a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) acumula uma dívida de R$ 197,6 milhões com fornecedores de medicamentos, insumos e materiais hospitalares.

De acordo com a apuração do Ministério Público, o atraso nos pagamentos seria uma das principais causas da falta de remédios e dificuldades enfrentadas por pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital sul-mato-grossense.

Conforme nota oficial divulgada pelo MPE, algumas empresas contratadas pela Prefeitura de Campo Grande estariam sem receber há cerca de 500 dias, o equivalente a mais de um ano e quatro meses.

Segundo a promotoria, a investigação conduzida pela 76ª Promotoria de Justiça busca identificar a dimensão da crise financeira na Secretaria Municipal de Saúde e os impactos diretos no atendimento à população.

“A atuação do MPMS ganhou força após denúncias de empresas contratadas pela prefeitura, que relataram dificuldades no recebimento por serviços prestados, especialmente no fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares”, informou o órgão.

O Ministério Público destacou ainda que o acúmulo de débitos estaria comprometendo a continuidade do abastecimento das unidades de saúde do município.

Segundo levantamento citado pelo MPE, entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, a Prefeitura de Campo Grande deixou de pagar cerca de R$ 285,8 milhões em despesas relacionadas à saúde pública.

No período, houve o pagamento de aproximadamente R$ 88,2 milhões, mas permaneceu um passivo de R$ 197,6 milhões junto aos fornecedores.

A investigação também cita que somente em 2026 já teriam sido identificados mais de R$ 5 milhões em débitos envolvendo empresas responsáveis pelo fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares.

Além da investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual, o Tribunal de Contas da União (TCU) também apura suposto desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde, conforme denúncia apresentada pelo Conselho Municipal de Saúde.

Segundo informações divulgadas pelo MPE, a investigação vai na contramão das justificativas apresentadas anteriormente por integrantes da administração municipal.

O secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, havia afirmado que servidores poderiam estar boicotando o fornecimento de medicamentos à população.

Durante a campanha eleitoral de 2024, Adriane Lopes também atribuiu a falta de medicamentos a supostas falhas envolvendo servidores públicos.

No entanto, conforme a investigação, o principal problema estaria relacionado justamente ao atraso nos pagamentos realizados pela prefeitura às empresas fornecedoras.

“O acúmulo de dívidas já tem reflexos práticos na rede municipal. A falta de medicamentos, insumos e materiais hospitalares tem sido recorrente”, destacou o Ministério Público.

Enquanto a crise no sistema municipal de saúde avança, a gestão de Adriane Lopes também passou a enfrentar críticas após reajustes salariais concedidos ao primeiro escalão da administração.

Segundo dados citados na investigação, o salário da prefeita teria subido de R$ 21,2 mil para R$ 31,9 mil.

A vice-prefeita Camilla Nascimento Oliveira e secretários municipais também receberam reajustes.

Outro caso citado envolve a chefe da Casa Civil, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, cujo salário teria passado de R$ 29,1 mil para R$ 43,6 mil, considerando subsídios e outros pagamentos.

A atual gestão municipal também enfrenta desgaste político após operações policiais realizadas nos últimos anos.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a administração foi alvo das operações Cascalhos de Areia, Apagar das Luzes e Buraco Sem Fim, que investigam possíveis irregularidades e suspeitas de corrupção.

Até o momento, não há condenação definitiva relacionada aos casos citados. As investigações seguem em andamento pelos órgãos competentes.

A crise na saúde pública de Campo Grande deve continuar gerando repercussão política e institucional nas próximas semanas, principalmente diante do impacto direto na população que depende exclusivamente do SUS para acesso a medicamentos e exames.

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