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“Samba de luto: Morte de Noca da Portela deixa comunidade chorando e homenagens fluindo no Rio”

Por Expresso Rio · Publicado em 18/05/2026 07:37 · Atualizado em 18/06/2026 23:41

O samba brasileiro amanheceu de luto neste domingo (17) após a morte do cantor, compositor e baluarte da Portela, Noca da Portela, aos 93 anos. Segundo informações divulgadas por familiares e integrantes do samba carioca, o artista estava internado desde o dia 30 de abril no Hospital Assim Medical, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tratando uma infecção pulmonar.

Um dos maiores nomes da história da Portela, Noca deixa um legado marcado por sambas-enredo históricos, defesa da cultura popular e décadas dedicadas ao Carnaval carioca.

Nas redes sociais, artistas, intérpretes e representantes de escolas de samba lamentaram a morte do compositor. O cantor Diogo Nogueira relembrou a convivência com o sambista e destacou a importância de Noca para a música brasileira.

“Hoje o samba perde um dos seus grandes nomes. Tive a honra de compor ao lado de Noca da Portela e guardo para sempre essa lembrança no coração”, escreveu.

O dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus também manifestou solidariedade à família e aos amigos do artista.

“Meus pêsames aos familiares, amigos e ao samba. Descanse em paz”, declarou.

Já o Cacique de Ramos destacou a importância do sambista para a história da agremiação e lembrou composições marcantes que atravessaram gerações.

“Hoje nos despedimos do homem, mas sua arte estará para sempre em todas as nossas rodas de samba”, publicou o grupo.

Neguinho da Beija-Flor também lamentou a morte do compositor.

“Seu legado será lembrado eternamente, não só no samba, mas na cultura do nosso país”, escreveu.

O intérprete Wander Pires relembrou a parceria com Noca e citou o sucesso “Liga pro meu celular”, composição que marcou sua trajetória no samba.

“Hoje o samba perde uma de suas grandes referências”, afirmou.

A tradicional sambista Tia Surica também publicou mensagem de despedida nas redes sociais.

“Mais uma perda. Mais uma estrela no céu de Madureira”, escreveu.

De acordo com informações divulgadas pela escola de samba Portela, o velório de Noca da Portela acontecerá na terça-feira (19), na quadra da agremiação, em Madureira, na Zona Norte do Rio.

A cerimônia será aberta ao público entre 8h e 14h, reunindo sambistas, admiradores, integrantes de escolas de samba e representantes da cultura popular carioca.

Quem foi Noca da Portela

Nascido em Leopoldina, em Minas Gerais, no dia 12 de dezembro de 1932, Osvaldo Alves Pereira, conhecido nacionalmente como Noca da Portela, construiu uma das trajetórias mais respeitadas do samba brasileiro.

Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. Filho de um professor de violão, trabalhou como feirante durante a juventude antes de seguir profissionalmente na música.

Segundo registros da trajetória do artista, Noca estudou violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil e começou a compor ainda adolescente.

O sambista iniciou sua caminhada no carnaval pela Unidos do Catete e, posteriormente, participou da fundação da escola de samba Paraíso do Tuiuti, onde consolidou seu nome como compositor.

Em 1966, recebeu convite de Paulinho da Viola para integrar a ala de compositores da Portela. A entrada na escola aconteceu após avaliação conduzida por Candeia, considerado um dos maiores nomes da história da azul e branco de Madureira.

Na Portela, Noca acumulou vitórias históricas em disputas de samba-enredo e se tornou um dos compositores mais premiados da escola.

Entre os sambas mais marcantes da carreira estão “Gosto que me enrosco”, vencedor do Estandarte de Ouro em 1995, “Os olhos da noite”, premiado em 1998, além do enredo “ImagináRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal”, destaque do Carnaval de 2015.

Noca da Portela deixa centenas de composições e uma trajetória diretamente ligada à preservação do samba tradicional e da cultura popular brasileira.

A morte do artista gerou forte repercussão entre escolas de samba, compositores e admiradores do Carnaval do Rio de Janeiro, especialmente em Madureira, bairro considerado um dos berços do samba carioca.

O legado do compositor permanece vivo em sambas-enredo históricos, rodas de samba e na memória cultural do Carnaval brasileiro.

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