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Milei culpa esquerda por crise de imagem da Argentina com citação fake de Churchill

Por 6 min de leitura Expresso Rio
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Milei culpa esquerda por crise de imagem da Argentina com citação fake de Churchill
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O presidente da Argentina, Javier Milei, reagiu às críticas internacionais dirigidas ao país após a derrota da seleção argentina para a Espanha por 1 a 0 na final da Copa do Mundo de 2026. Em uma publicação nas redes sociais, ele compartilhou a imagem de um mapa da Argentina pintado com as cores da bandeira nacional acompanhada da frase: “Agora o mundo vai ver até onde pode chegar um país cheio de argentinos.”

A manifestação ocorre em meio a uma onda de críticas nas redes sociais e de declarações de celebridades estrangeiras, entre elas os atores Javier Bardem e Samuel L. Jackson, o escritor Arturo Pérez-Reverte e a cantora Rosalía. Após sofrer forte pressão de fãs argentinos, que chegaram a organizar campanhas para cancelar ingressos de seus shows em Buenos Aires, Rosalía publicou um pedido de desculpas.

Postagem feita por Samuel L. Jackson em seu Instagram chamando Argentina de racista. A mensagem foi publicada pelo ator, de 77 anos, nos stories de seu perfil no último domingo (19).

“Caras pessoas negras… Por favor não torçam para a Argentina ganhar a Copa do Mundo da Fifa. A… pic.twitter.com/GSFiQSATEO

— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) July 20, 2026

Debate sobre estrangeiros ganha força

A publicação de Milei coincidiu com a apresentação de um projeto de lei pelo deputado libertário Agustín Romo, na Assembleia Legislativa da Província de Buenos Aires, propondo que estrangeiros sem residência permanente passem a pagar pelo atendimento na saúde pública e pelo ensino universitário provincial.

Nas redes sociais, Romo endureceu o discurso.

“A Argentina é o único país do mundo que oferece saúde e educação gratuitas aos estrangeiros. E eles ainda nos insultam? Temos que acabar com isso imediatamente e deportar quem estiver ilegalmente no país.”

Em outra mensagem, o parlamentar afirmou que as universidades públicas gratuitas deveriam atender apenas argentinos e defendeu que estudantes estrangeiros não residentes arquem com os custos da formação.

Milei fala em “campanha anti-Argentina”

Segundo o jornal Clarín, integrantes da Casa Rosada tratam a repercussão internacional como uma “campanha anti-Argentina”.

s do governo afirmam que tanto a postagem de Milei quanto a proposta de Romo fazem parte de uma resposta política elaborada principalmente para as redes sociais, ambiente considerado estratégico pelo governo libertário.

A conta ligada à secretária-geral da Presidência, Karina Milei, elogiou publicamente o projeto.

Segundo a publicação, a prioridade deve ser destinar recursos públicos aos moradores da província de Buenos Aires que pagam impostos.

ABSOLUTAMENTE CIERTO. https://t.co/1TWI7s4DBc

— Javier Milei (@JMilei) July 22, 2026

Citação atribuída a Churchill era falsa

Antes da postagem sobre a Argentina, Milei compartilhou uma frase atribuída a Winston Churchill:

“Você tem inimigos? Ótimo. Isso significa que defendeu alguma coisa em algum momento da vida.”

O presidente reconheceu que alguns atribuem a frase a Victor Hugo, mas, segundo a Winston Churchill Society, a citação nunca foi dita pelo ex-primeiro-ministro britânico e faz parte de uma lista de frases falsamente atribuídas a ele.

Governo culpa kirchnerismo pela crise de imagem

Milei também compartilhou uma publicação do escritor e filósofo Agustín Laje, presidente da Fundação Faro, que responsabilizou o kirchnerismo pela deterioração da imagem internacional da Argentina.

Segundo Laje, governos kirchneristas alimentaram narrativas que acusavam a seleção de receber favorecimento da arbitragem, estimularam ataques a Lionel Messi e reforçaram discursos que hoje seriam usados contra o país.

Ao republicar a mensagem, Milei escreveu apenas:

“ABSOLUTAMENTE VERDADEIRO.”

A deputada Lilia Lemoine também aderiu ao discurso, afirmando que o kirchnerismo teria promovido uma campanha contra a própria seleção argentina.

Como surgiu a onda de críticas

A pressão internacional contra a Argentina aumentou durante a reta final do Mundial.

Após eliminar a Inglaterra na semifinal, jogadores exibiram uma bandeira com a frase “As Malvinas são argentinas”, gesto que provocou protestos de políticos britânicos e pedidos para que a FIFA investigasse o episódio.

Paralelamente, viralizaram nas redes sociais acusações de que a seleção estaria sendo favorecida pela arbitragem desde a estreia contra a Argélia. A origem da polêmica foi um lance em que Lionel Messi pisou involuntariamente em um adversário sem ser expulso.

A repercussão ganhou força entre comentaristas esportivos espanhóis e mexicanos e foi impulsionada pelos algoritmos das redes sociais, transformando críticas à equipe de Lionel Scaloni em um fenômeno viral.

🚨 CENAS LAMENTÁVEIS! Paredes AGREDIU Eric García e Gavi após Espanha 1×0 Argentina!

🎥 @CazeTVOficial pic.twitter.com/vY9Xrh8vN8

— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) July 19, 2026

Samuel L. Jackson, Javier Bardem e Pérez-Reverte ampliaram a polêmica

A situação ganhou dimensão internacional quando o ator Samuel L. Jackson afirmou que a Argentina seria um dos países mais racistas do mundo e pediu que pessoas negras não torcessem pela seleção.

Após a final, o ator espanhol Javier Bardem afirmou que o comportamento da equipe refletia o ambiente político criado pelo governo Milei e associou o presidente argentino ao apoio ao governo israelense.

Já o escritor Arturo Pérez-Reverte escreveu que a seleção que enfrentou a Espanha “não representava a Argentina”, mas apenas “a parte mais violenta e irracional” da sociedade do país, provocando nova onda de debates nas redes sociais.

BARDEM SE ALEGRÓ POR LA DERROTA ARGENTINA POR EL APOYO DE MILEI A ISRAEL

El actor español consideró que la supuesta falta de apoyo de otros países a Argentina durante el Mundial fue consecuencia del respaldo del Gobierno argentino a un “criminal de guerra”, en alusión a Benjamín… pic.twitter.com/kYsMXnblGv

— Clarín (@clarincom) July 21, 2026

O que prevê o projeto de Agustín Romo

O projeto apresentado por Romo conta com apoio de deputados da La Libertad Avanza e também do PRO.

A proposta determina que:

  • estrangeiros sem residência permanente paguem pelo atendimento programado na rede pública de saúde, por meio de seguro ou tarifa específica;
  • estudantes estrangeiros não residentes contribuam financeiramente para cursar universidades públicas provinciais;
  • os recursos arrecadados sejam destinados à melhoria dos hospitais, universidades, bolsas de estudo e infraestrutura voltada aos moradores da província.

Segundo a justificativa do projeto, os recursos públicos são limitados e devem priorizar os contribuintes da Província de Buenos Aires. O texto afirma que a iniciativa não pretende negar atendimento médico a ninguém, mas estabelecer mecanismos para que visitantes e não residentes arquem com os custos dos serviços utilizados.

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