Michelle Bolsonaro não foi avisada previamente sobre a elaboração e a divulgação da carta em que Jair Bolsonaro indicou Flávio Bolsonaro como seu nome para a disputa presidencial. Segundo integrantes do PL, a ex-primeira-dama soube do documento somente depois de sua leitura nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro apresentou o manuscrito durante uma transmissão ao vivo em 11 de julho. No texto, Jair Bolsonaro defendeu a união da direita, classificou o filho como seu “porta-voz” e atribuiu a ele a missão de conduzir o projeto político da família nas eleições.
Michelle Bolsonaro estava em um grupo de oração enquanto a carta era preparada e divulgada, segundo relatos de integrantes do partido. A informação reforça o afastamento da ex-presidente do PL Mulher das decisões tomadas por Flávio e por dirigentes ligados à pré-campanha presidencial.
A divulgação teve consequências judiciais para Jair Bolsonaro. Alexandre de Moraes concluiu que a carta possuía conteúdo político-eleitoral e contrariava as restrições impostas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar humanitária.
O ministro do Supremo Tribunal Federal suspendeu por 30 dias as visitas a Jair Bolsonaro, com exceção de advogados, médicos e fisioterapeutas. Moraes também proibiu encontros com finalidade político-eleitoral até o encerramento das eleições de 2026.
Flávio Bolsonaro já estava proibido de visitar o pai por 90 dias. Michelle relatou a aliados preocupação com a publicação integral do manuscrito por avaliar que a iniciativa poderia aumentar o risco de novas punições judiciais contra o marido.




