O Ministério do Interior do Marrocos informou neste domingo (02) que 11 pessoas morreram ao tentar cruzar a fronteira para Ceuta, enclave espanhol no norte da África, e atribuiu as travessias à ação de traficantes de pessoas e à desinformação nas redes sociais. Dez vítimas se afogaram, e outra morreu após cair de uma área rochosa entre Fnideq, no Marrocos, e o território espanhol. Com informações de O Globo.
O porta-voz do ministério, Rachid El Khalti, afirmou que redes criminosas exploraram plataformas digitais e disseminaram informações falsas sobre uma suposta facilidade para entrar na Europa. Para ele, a circulação desses conteúdos criou “a falsa impressão de que a entrada no espaço europeu poderia ser feita facilmente e sem consequências legais”.
A Espanha mantém o registro oficial de ao menos 72 migrantes mortos durante a chegada em massa a Ceuta nos últimos dias. As autoridades locais, porém, retiraram 88 corpos do mar e os levaram ao necrotério, o que indica que o total de vítimas pode crescer após a identificação dos mortos.
O delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, disse que as vítimas morreram afogadas enquanto tentavam alcançar a costa do enclave. Ceuta tem cerca de 83 mil habitantes e recebeu dezenas de milhares de pessoas desde quinta-feira (30).
Espanha calcula 73,5 mil saídas de Ceuta desde quinta-feira
As Forças de Segurança do Estado espanhol estimaram que cerca de 73,5 mil pessoas que entraram irregularmente em Ceuta já deixaram a cidade desde quinta-feira. Parte dos retornos ocorreu de forma espontânea, enquanto Espanha e Marrocos anunciaram um acordo para acelerar a repatriação de pessoas interceptadas.
O governo espanhol enviou militares ao enclave e a Guarda Civil instalou uma barreira pneumática flutuante de 500 metros para ampliar a vigilância marítima. Estimativas iniciais apontavam que entre 50 mil e 60 mil migrantes chegaram a Ceuta entre quinta e sexta-feira (31), e mais de 48 mil já haviam retornado ao Marrocos até o fim da sexta.
Hoy ha comenzado la instalación de las barreras de contención en el espigón del Tarajal (Ceuta), en un operativo conjunto de la Guardia Civil, la @Armada_esp y @salvamentogob Marítimo (Sasemar).
✔️ El dispositivo consta de una barrera neumática de 500 metros, reforzada con una… pic.twitter.com/gRlBK2kk7D
— Guardia Civil (@guardiacivil) August 1, 2026
Uma parcela dos recém-chegados continuava acampada nas praias, sem acesso regular a alimentos, enquanto aguardava resposta aos pedidos de asilo. A maioria dos que permaneceu no território espanhol não é marroquina e veio de países da África Subsaariana afetados por pobreza, epidemias e conflitos armados.
A crise levou a União Europeia a convocar uma reunião por videoconferência para terça-feira (04), após 22 países do bloco pedirem uma resposta coordenada. A Itália suspendeu por um mês a aplicação do Acordo de Schengen para chegadas procedentes da Espanha, e o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou como “egoísta” a reação de parte dos parceiros europeus.
A Associação Marroquina de Direitos Humanos relatou “quase 130 vítimas” e dezenas de desaparecidos, número superior ao balanço oficial espanhol, e pediu uma investigação independente. A entidade também criticou o “silêncio inquietante das autoridades e das instituições” marroquinas diante do fluxo na fronteira.




