O interesse em iniciação científica na rede municipal de ensino em Campos está crescendo. A quantidade de projetos inscritos no processo seletivo 2026 do Mais Ciência na Escola, programa da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), além de ter sido significativa, contemplou quase todas as áreas de conhecimento que fazem parte dessa iniciativa. Para esse edital, foram inscritos 223 projetos, um aumento de 37,65% em relação ao ano passado, que contou com 162 inscrições.
Entre as propostas enviadas para 2026, 42 vieram dos Anos Iniciais e 181 dos Anos Finais, além de 20 projetos da modalidade EJA. As inscrições também partiram de 11 novas escolas, o que amplia o alcance da iniciativa dentro da rede municipal. Segundo a gerente de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Seduct, Carla Salles, estes dados reforçam a presença da pesquisa no cotidiano escolar. “É um movimento que mostra como a ciência vem sendo incorporada de forma mais natural pelas escolas, inclusive em diferentes etapas de ensino e em realidades muito diversas”, afirmou.
O edital de 2026 prevê até 100 projetos de pesquisa, sendo 70 para os Anos Finais e 30 para os Anos Iniciais. A proposta também inclui até 300 bolsas de iniciação científica júnior para estudantes, 100 bolsas para professores orientadores e 100 taxas de bancada, no valor total de R$ 1 mil por projeto. As bolsas para alunos terão valor mensal de R$ 200, com carga de 10 horas semanais, enquanto os docentes receberão R$ 500 por mês. A vigência do edital vai de maio a dezembro de 2026, com duração de oito meses.
Na distribuição por áreas, as inscrições de 2026 chegaram a praticamente todos os eixos do programa. Ciências da Natureza concentrou 73 projetos, seguida por Interdisciplinaridade, com 47, Linguagens, com 27, Ciências Humanas, com 23, Matemática, com 20, Diversidade e Equidade, com 15, Tecnologias Digitais, com 12, e Educação Especial Inclusiva, com 6. Carla Salles destacou que o próprio desenho do edital ajuda a ampliar o acesso. “Quando o programa abre espaço para diferentes campos do conhecimento e ainda reserva 30% das vagas para Diversidade e Equidade, ele dialoga com a escola real, com seus desafios, suas identidades e seus territórios”, disse.
No ano passado, o programa também apresentou resultados expressivos. Em 2025, foram 162 projetos submetidos e 107 aprovados, sendo 97 dos Anos Finais e 10 dos Anos Iniciais. A maior concentração ficou em Ciências da Natureza, com 50 projetos, seguida de Interdisciplinaridade, com 13, Diversidade e Equidade, com 10, Linguagens, com 10, Ciências Humanas, com 9, Matemática, com 7, Tecnologias Digitais, com 5, e Educação Especial Inclusiva, com 3. O desempenho confirma a expansão gradual do programa dentro da rede.
Entre os aprovados de 2025, também ganharam destaque os projetos ligados às escolas do campo e às escolas quilombolas, com abordagens diretamente relacionadas ao território, à produção de conhecimento local e à valorização da diversidade racial. Atendendo a essas especificidades, foram 11 escolas do campo e 23 projetos, entre eles propostas sobre etnomatemática, recursos hídricos, horta orgânica, preservação ambiental e brincadeiras tradicionais. Já entre as escolas quilombolas, a EM Maria Antônia Pessanha Trindade aprovou o projeto “Centro de memória de práticas corporais em formato digital da localidade de Quilombo em Dores de Macabu”.
O cronograma do edital também já está definido. O resultado preliminar será divulgado no dia 22, o resultado final no dia 30, e os projetos começam no dia 4 de maio. Para Carla Salles, o calendário ajuda a dar previsibilidade às equipes escolares e fortalece o planejamento. “A escola passa a se organizar com antecedência, o que melhora a execução e dá mais consistência às pesquisas. Quando o projeto entra no tempo certo da escola, a aprendizagem acontece de forma mais viva e mais conectada com a realidade dos estudantes”, concluiu.


