A Prefeitura de Campos, por meio da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SUBVS) e da Subsecretaria de Atenção Primária à Saúde (APS), ambas vinculadas à Secretaria Municipal de Saúde, se prepara para realizar um levantamento estatístico da população de cães e gatos, especialmente os sem tutor e semidomiciliados, para entender o impacto desses animais na saúde pública e na saúde animal. A pesquisa terá início com a apresentação das estratégias de coleta de dados para os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que acontece nos dias 5 e 6 de maio, no auditório da Prefeitura, das 9h às 12h.
De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde e Infectologista, Rodrigo Carneiro, esta é a primeira vez que o município terá um levantamento demográfico que, além de quantificar os cães e gatos sem tutores ou semidomiciliados, também poderá auxiliar na elaboração de políticas públicas mais eficazes.
“Quando falamos em saúde pública, os animais, especialmente aqueles sem tutor ou semidomiciliados, são importantes na dinâmica de transmissão de diversas zoonoses. Além disso, o município também se sensibiliza quanto ao cuidado com a saúde animal. Com base nas informações sobre a densidade desses animais por bairro, a Vigilância, em conjunto com o Centro de Controle de Zoonoses, a Vigilância Sanitária, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade e a Vigilância Ambiental do Estado, poderá desenvolver estratégias para reduzir riscos à saúde humana e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida dos animais no município”, explica Rodrigo Carneiro.
O infectologista ressalta ainda que a pesquisa será desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) – Centro de Estudos, Pesquisas e Ambiente em Zoonoses (Cepaz) Professor José Rodrigues Coura, de forma que o município contribua com estudos acadêmicos ainda pouco frequentes na literatura nacional e internacional sobre essa temática. “A Secretaria de Saúde também está atuando na área de pesquisa acadêmica, sendo fomentadora desse estudo junto à Uenf e ao Cepaz”, disse Rodrigo Carneiro.
Pela Uenf, participam da iniciativa os pesquisadores Adriana Jardim de Almeida, médica veterinária (LCCA/CCTA/Uenf), Edwards Frazão Teixeira, médico veterinário (LBE/IOC/Fiocruz e LSA/CCTA/Uenf), Josias Alves Machado, biólogo (LCCA/CCTA/Uenf), e Wilder Hernando Ortiz Vega, também médico veterinário (LRMGA/CCTA/Uenf), que destacam a relevância científica e aplicada do levantamento.
“Esse tipo de estudo permite não apenas compreender a dinâmica populacional de cães e gatos no município, mas também integrar dados essenciais para a vigilância de zoonoses e o planejamento de ações em ‘Uma Só Saúde’. A geração de informações qualificadas em nível local contribui diretamente para a tomada de decisão, além de fortalecer a produção científica em uma área ainda carente de dados sistematizados no Brasil”, destacam os pesquisadores.
A parte de coleta de dados está prevista para começar no dia 11 de maio, uma semana após a apresentação das estratégias para os ACEs e ACS. A pesquisa visa identificar as áreas com maior concentração desses animais, permitindo a criação de estratégias de controle de doenças zoonóticas como raiva, toxoplasmose, esporotricose e toxocaríase, entre outras, além da melhoria da qualidade de vida dos animais.
Segundo o diretor Carlos Morales, essas informações serão fundamentais para aprimorar o planejamento dos programas já desenvolvidos pelo Centro de Controle de Zoonoses, como vacinação antirrábica, castrações e atendimentos clínicos. Ele destacou que o planejamento estratégico se baseia em estimativas da população animal em Campos, mas ainda há falta de dados precisos sobre o número de animais abandonados e domiciliados.
“Com os resultados desse levantamento, será possível otimizar o planejamento dos programas existentes, além de possibilitar novas iniciativas. O conhecimento da população animal, tanto a abandonada quanto a domiciliada, é crucial para o sucesso desses programas e para as ações futuras do CCZ”, disse Morales, informando que na campanha de vacinação antirrábica do ano passado foram mais de 35 mil animais vacinados.


