O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciará a campanha eleitoral de 2026 com vantagem no horário gratuito de rádio e televisão em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Pelas regras de distribuição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o petista terá cerca de 5 minutos e 32 segundos em cada bloco de propaganda, enquanto o candidato do PL contará com aproximadamente 4 minutos e 20 segundos.
A diferença de 1 minuto e 12 segundos representa uma vantagem de 21,7% para Lula e decorre da composição das coligações registradas para a disputa presidencial. Sem conseguir o apoio de outras legendas, Flávio Bolsonaro disputará a eleição sustentado apenas pelo PL.
O tempo de propaganda é calculado conforme a representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Pela legislação eleitoral, 90% do horário são distribuídos proporcionalmente ao tamanho das bancadas, enquanto os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos e coligações que têm direito ao horário gratuito.
Como será dividido o tempo de propaganda
A coligação de Lula reúne a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), além de PSB, PDT e da federação PSOL-Rede. A soma das bancadas dessas legendas garante ao presidente o maior tempo de televisão entre os candidatos.
Mesmo sem alianças, Flávio Bolsonaro mantém uma parcela significativa do horário graças à bancada do PL, que possui 98 deputados federais eleitos.
Segundo a advogada Renata Mendonça, coordenadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), a representação do PL assegura ao candidato um espaço relevante na propaganda eleitoral, mesmo sem integrar uma coligação.
Apenas quatro candidatos terão propaganda eleitoral
Embora a eleição presidencial conte com mais concorrentes, somente quatro candidatos participarão da divisão dos blocos de propaganda.
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) terá cerca de 2 minutos e 2 segundos por bloco, enquanto Augusto Cury (Avante) contará com aproximadamente 36 segundos.
Já Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão acesso ao horário eleitoral gratuito porque seus partidos não atingiram a cláusula de desempenho prevista na legislação e não formaram coligações com legendas habilitadas.
Regras definem distribuição do horário
As regras utilizadas seguem a Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral. Nas eleições presidenciais, serão exibidos dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos, às terças, quintas e sábados, tanto no rádio quanto na televisão.
A propaganda eleitoral gratuita terá início em 28 de agosto e seguirá até 1º de outubro.
Como apenas partidos e coligações aptos participam da divisão do horário, candidatos sem direito à propaganda não reduzem o tempo destinado às demais campanhas.
Durante a pré-campanha, o PL buscou ampliar sua coligação para aumentar o tempo de televisão e fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Entre as negociações estiveram conversas com a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. No entanto, divergências internas e acordos regionais impediram uma aliança nacional. O PP optou por manter neutralidade na disputa presidencial.
O partido também tentou atrair a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para compor a chapa como candidata a vice-presidente, mas a possibilidade não recebeu aval da legenda.
Republicanos e Podemos mantiveram independência
Outra tentativa envolveu o Republicanos, com a indicação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques para a vice-presidência.
Após consulta aos diretórios estaduais, o Republicanos decidiu permanecer independente na eleição presidencial. A decisão inviabilizou a composição da chapa com o partido.
O Podemos também foi procurado nos últimos dias antes das convenções, mas preferiu não formalizar apoio a nenhuma candidatura.
PL avalia chapa formada apenas por integrantes do partido
Sem acordos com outras legendas, o PL passou a considerar uma chapa formada exclusivamente por filiados da sigla.
Entre os nomes discutidos para a vice-presidência aparecem o senador Rogério Marinho (RN), o senador Marcos Pontes (SP) e as deputadas Priscila Costa (CE), Julia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF).
Com a configuração atual das alianças, Lula inicia a campanha com o maior tempo de propaganda eleitoral entre os candidatos que disputarão a Presidência da República em 2026.




