O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou um ofício à Polícia Federal e à Interpol solicitando medidas de cooperação internacional para apurar a origem, a movimentação e os beneficiários dos recursos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o documento, o parlamentar pede o compartilhamento de informações com autoridades de países como Estados Unidos, Holanda e Hungria, além da preservação de registros financeiros ligados ao projeto audiovisual. O objetivo, de acordo com Lindbergh, é esclarecer a origem dos recursos empregados na produção e identificar eventuais beneficiários das operações financeiras mencionadas em reportagens recentes.
De acordo com o ofício enviado às autoridades, reportagens teriam apontado a participação de empresas estrangeiras e mecanismos financeiros internacionais na produção do filme. Segundo informações citadas pelo deputado, documentos divulgados pela Agência Pública indicariam que Eduardo Bolsonaro teria sido descrito como financiador do projeto.
O parlamentar também menciona a existência de uma suposta tentativa de contratação de uma estrutura de conta de custódia destinada à movimentação de recursos para a obra cinematográfica.
Entre os elementos apresentados no pedido, Lindbergh menciona informações sobre uma ordem de pagamento de aproximadamente US$ 57,5 mil destinada à empresa New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia, nos Estados Unidos.
Segundo o parlamentar, a operação teria sido intermediada pela Stichting Freeway Custody, entidade registrada na Holanda. Conforme a argumentação apresentada, a estrutura poderia permitir a preservação da identidade de investidores, motivo pelo qual o deputado solicita a identificação da origem dos recursos e dos beneficiários finais das operações.
No documento, Lindbergh sustenta que os fatos relatados apontariam para uma possível arquitetura internacional de movimentação financeira envolvendo Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria.
Segundo o parlamentar, a utilização de empresas privadas, fundações, contratos e estruturas financeiras em diferentes jurisdições justificaria uma investigação aprofundada sobre o fluxo dos recursos utilizados no projeto audiovisual.
Entre as medidas requeridas estão o acionamento dos mecanismos de cooperação internacional da Interpol, a obtenção de informações sobre empresas e pessoas mencionadas nas reportagens e a análise da eventual utilização da ferramenta Silver Notice, mecanismo voltado à localização de ativos e informações financeiras em âmbito internacional.
O deputado também solicitou a preservação de contratos, ordens de pagamento, mensagens comerciais, registros contábeis e demais documentos relacionados às operações financeiras mencionadas.
Segundo o ofício, a adoção de medidas urgentes seria necessária para evitar eventual perda de informações, incluindo apagamento de registros eletrônicos, encerramento de contas e destruição de documentos que possam ser relevantes para futuras apurações.
Lindbergh ainda cita reportagens que relacionam o empresário Daniel Vorcaro ao financiamento do filme. Conforme mencionado no documento, mensagens divulgadas pela imprensa indicariam participação de Eduardo Bolsonaro em orientações relacionadas ao envio de recursos para os Estados Unidos.
O parlamentar argumenta que essas informações poderiam representar uma aparente divergência em relação a declarações públicas segundo as quais Eduardo Bolsonaro teria apenas cedido direitos de imagem para a produção da cinebiografia.
Ao justificar o pedido, Lindbergh afirma que a intenção é identificar a origem dos valores empregados no projeto, acompanhar o caminho percorrido pelos recursos e verificar a existência de possíveis financiadores ocultos.
Até o momento, não há divulgação de conclusão oficial por parte das autoridades citadas sobre os fatos apresentados no documento. Eventuais apurações dependerão da análise dos órgãos competentes e dos mecanismos de cooperação internacional eventualmente acionados.