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Líderes do Comando Vermelho Mantinham Controle sobre a Facção Criminosa Mesmo atrás das Grades

Expresso Rio

Uma investigação realizada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) revelou que líderes do Comando Vermelho, presos no Conjunto Penal de Segurança Máxima de Serrinha, continuavam a exercer influência sobre a organização criminosa, mesmo estando atrás das grades. Segundo a apuração, advogados investigados utilizavam o direito ao atendimento reservado com seus clientes para transmitir mensagens relacionadas ao funcionamento da facção, incluindo ordens sobre tráfico de drogas, compra de armamentos, movimentação de dinheiro, cobrança de dívidas, disputas internas e planejamento de ações criminosas.

As informações fazem parte da Operação Doutores da Alegria, que resultou na prisão de dez advogados e teve como alvo também 12 detentos apontados como integrantes da organização criminosa. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MP-BA, com apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária. Gravações autorizadas pela Justiça embasaram a investigação, que registrou dezenas de encontros entre advogados e presos na unidade de Serrinha, mostrando profissionais recebendo e repassando orientações ligadas diretamente às atividades da organização criminosa.

A investigação cita ameaças, compra de munições e logística da facção, com advogados investigados transmitindo informações relacionadas à compra de armas, munições e logística da organização criminosa. As conversas abordavam dinheiro, drogas e ações policiais, com diálogos sobre repasse de dinheiro, pagamento de honorários por atuação extrajudicial, envio de fotografias e vídeos para comprovar o cumprimento de ordens e estratégias para ampliar a comercialização de drogas por meio de aplicativos de mensagens.

A operação amplia o debate sobre o monitoramento de encontros entre advogados e presos, com o coordenador do Gaeco afirmando que os investigados teriam utilizado prerrogativas da advocacia para favorecer a atuação da organização criminosa. O Ministério Público defende que os presídios estaduais adotem regras semelhantes às existentes nas penitenciárias federais, permitindo a monitoração da comunicação entre presos e advogados em situações específicas previstas em lei. As defesas dos advogados investigados informaram que irão se manifestar apenas nos autos do processo, confiando no respeito às garantias constitucionais.

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